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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lendo Guerra e Paz #8 // Tomo II – 5ª Parte

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho continuar o meu diário de leitura de Guerra e Paz, desta vez em relação à 5ª (e última) parte do 2º Tomo.

Apesar de curtinha, esta é novamente uma parte cheia de reviravoltas ou, como se diz hoje em dia, plot twists.

Vamos lá?

No inicio desta 5ª parte encontramo-nos com Pierre que, após a notícia do noivado de Natacha e da morte de Iossif, se encontra desencantado com o mundo. Nem o casamento, nem a maçonaria conseguem trazer-lhe qualquer alegria.
Pierre retoma por isso velhos hábitos, volta a frequentar o clube e a beber, razão pela qual, e para não comprometer a esposa, regressa a Moscovo.

Em Moscovo, Pierre entrega-se ao vinho e à vida libertina, de modo a afogar os sentimentos e questionamentos que o atormentam.

Frequentava todas as sociedades possíveis, bebia muito, comprava quadros, construía, e principalmente lia.
(…) da leitura passava ao sono, e do sono à tagarelice nas salas de visitas e no clube, e da tagarelice à pândega e às mulheres, e da pândega outra vez à tagarelice, à leitura e ao vinho. Beber vinho tornara-se para ele cada vez mais uma necessidade física e ao mesmo tempo moral. (…) Só se sentia inteiramente bem quando, sem ele mesmo notar como, tendo entornado na sua grande boca vários copos de vinho, sentia no corpo um agradável calor, ternura por todos os seus próximos e a disposição mental para responder de modo superficial a qualquer ideia, sem penetrar na sua essência. Só depois de beber uma garrafa ou duas começava a ficar vagamente consciente de que aquele complicado e horrível nó da vida que antes tanto o horrorizava não era tao horrível como lhe parecera.” (p. 577)

Quem nunca precisou de uma ajudinha servida em copo, para enfrentar as agruras desta vida, não é verdade?

No início desse inverno, também o velho príncipe Bolkónski e Maria se dirigem a Moscovo e é-nos dado a saber que a saúde do príncipe se encontra cada vez mais debilitada, notando-se até alguns sinais de senilidade. Aliado a isso, o príncipe apresenta cada vez mais acessos de fúria, descarregando as suas frustrações na pobre princesa Maria.
Desde a ida para Moscovo que Maria se encontra triste e abatida, uma vez que perdeu o contacto com os seus peregrinos que tanta alegria lhe traziam.
Além disso, Maria passa a encontrar-se pessoalmente com Julie, perdendo assim o prazer de lhe escrever. É também com desgosto que Maria percebe que Julie, tendo perdido os dois irmãos, se tornou única herdeira e, portanto, uma das jovens mais cobiçadas na sociedade moscovita, e que, esse reconhecimento, a tornou uma pessoa fútil, com quem Maria não gostava de privar.
A somar aos desgostos de Maria, acresce o facto do velho príncipe, em jeito de piada, referir que se Andrei se pode voltar a casar, também ele o pode fazer e, com isto, aproximar-se de Mademoiselle Bourienne que, não sendo nada burra, decide aproveitar-se da situação e deixar-se 'seduzir' pelo velho.

Chega então o dia de Sao Nicolau, o santo onomástico do velho príncipe que, abrindo uma exceção, resolve dar um almoço para um grupo restrito de convidados, entre os quais se encontram Pierre e Boris Drubetskoi.
Num momento a sós, Pierre alerta Maria que Boris apenas de dirigiu a Moscovo em busca de uma noiva rica, estando nesse momento indeciso entre a cortejar a ela ou a Julie Karáguina.

Passando a ver as coisas na perspetiva de Boris, percebemos que, para ele, Julie seria uma esposa mais 'rentável', no entanto, Boris sente-se algo renitente em fazer o pedido.

… e todos os dias, reletindo consigo mesmo, Boris se dizia que amanha faria o pedido. Mas na presença de Julie, olhando o rosto e o queixo vermelho dela, quase sempre empoado, os olhos húmidos e a expressão no rosto (…), Boris não conseguia proferir a palavra decisiva; apesar de há muito se considerar já em imaginação o dono das propriedades de Penza e Nijni Nóvgorod (o dote de Julie)” (p. 591)

De forma a forçar um pouco a situação, Julie convida Anatole (o irmão de Hélène) para frequentar a sua casa. Preocupado com a possibilidade de perder a sua oportunidade de noivado para Anatole, Boris resolve-se a fazer o pedido, ficando assim noivo de Julie.

Voltamos depois a acompanhar os Rostov (o conde e as meninas) que, chegando a Moscovo, são recebidos em casa de Maria Dmítrievna, a madrinha de Natacha.

No dia seguinte, aconselhados por Maria Dmítrievna, o conde Rostov e Natacha resolvem visitar o velho príncipe Bolkónski, para se apresentarem. O príncipe recusa-se a receber as visitas que, entretanto, são recebidos por Maria. Maria recebe-os com alguma frieza e distanciamento e, de imediato, antipatiza com Natacha, sendo este sentimento reciproco.

Desde o primeiro olhar, a princesa Maria não gostou de Natacha. Achou-a demasiado bem vestida, levianamente alegre e vaidosa.” (p. 595)

Posteriormente acompanhamos os Rostov até uma opera, evento no qual se encontra reunida a nata da sociedade moscovita, entre os quais: Boris com a sua noiva Julie, Anna Mikháilovna (a mãe de Boris), Dólokhov, Pierre, Hélène e o irmão Anatole.

Num intervalo entre actos, Hélène apresenta-se a Natacha, elogiando a sua beleza e dizendo que já muito tinha ouvido falar dela. Nesse momento, convida-a a fazer-lhe companhia no seu camarote, o que Natacha aceita.
Uma vez aí chegadas, Hélène apresenta Anatole a Natacha que, de mediato de sente enfeitiçada pelo seu charme e encanto.

No entanto, ficamos a saber que Anatole pode ser tudo, menos encantador... Vivia em Moscovo por ter sido forçado, pelo seu pai, a abandonar Petersburgo, levando uma vida boémia, repleta de vinho e mulheres. Não perdia uma farra ou um baile e vivia constantemente à custa do dinheiro que pedia 'emprestado' a qualquer um.
Para completar o pacote, ficamos a saber que Anatole se casou, dois anos antes, durante a permanência do regimento na Polónia, tendo depois abandonado a esposa.

Uma vez que não resiste a uma 'rapariguinha', apesar de não estar apaixonado, Anatole resolve cortejar Natacha, para se divertir. Assim pede a Hélène que convide os Rostov para um dos serões em sua casa.
Durante o serão, improvisam um baile e Anatole convida Natacha para dançar. Durante a dança, Anatole não se cansa de elogiar Natacha, dizendo que a ama.
É neste momento que percebemos que Natacha ainda é, afinal, uma jovem ingénua porque, estas palavras de Anatole, são suficientes para a fazer acreditar que também se apaixonou, pondo em causa os seus sentimentos pelo príncipe Andrei.

Posteriormente, Anatole escreve uma carta a Natacha afirmando que não pode viver sem Natacha ("Ser amado por si ou morrer. Não tenho outra saída." p. 618) e que, por razões secretas os Rostov nunca aprovariam a sua união. Assim, propõe-lhe fugirem e viverem esse amor sem impedimentos.

No entanto, Sónia encontra e lê essa carta, confrontando Natacha com a situação e questionando-a se ela já teria pensado sobre quais seriam essas razões secretas. Natacha, completamente cega, expulsa Sónia do quarto e escreve uma nota à princesa Maria (que inicialmente lhe enviara uma carta para tentar iniciar amizade com a futura cunhada) dizendo que não havia mais mal-entendidos entre elas, mas que não poderia ser esposa de Andrei, terminando assim o noivado.

Nos dias seguintes Sónia percebe uma alteração no comportamento de Natacha, concluindo que o dia da fuga se aproximava. Sendo encontrada a chorar por Maria Dmítrievna, Sónia acaba por confessar-lhe o sucedido e a razão da sua preocupação.
Maria de imediato tranca Natacha no quarto, dando ordens aos criados para que deixassem entrar os visitantes, mas quem logo de seguida fechassem os portões para não os deixar sair. No entanto, Anatole e Dólokhov – que ajudava o amigo – apercebem-se de que algo não está bem e conseguem fugir.

Maria Dmítrievna, de modo a justificar a alteração de comportamento de Natacha (que se encontra apática e chorosa) diz ao conde Rostov que a filha se encontra doente.
Entretanto, e sem saber a quem recorrer, Maria Dmítrievna chama Pierre e, pedindo-lhe segredo, informa-o do ocorrido.

Pierre, que até aí evitara Natacha, fica chocado com o sucedido e dá-lhe a conhecer as razões secretas de Anatole, contando-lhe que ele já é casado.

Quando Pierre voltou a Moscovo, entregaram-lhe a carta de Maria Dmítrievna, que o chamava a sua casa por um assunto muito importante relacionado com Andrei Bolkónski e com a noiva deste. Pierre evitava Natacha. Parecia-lhe que tinha por ela um sentimento mais forte do que aquele que um homem casado devia ter pela noiva do seu amigo” (p.632)

Pierre, de ombros levantados e boca aberta, escutava o que Maria Dmítrievna dizia, se acreditar nos seus ouvidos. A noiva do príncipe Andrei tão amada, essa dantes doce Natacha Rostova, trocar Bolkónski pelo estupido Anatole, já casado (…), e apaixonar-se assim de modo a aceitar fugir com ele! – era uma coisa que Pierre não podia compreender nem imaginar.” (p. 633)

Neste contexto, Maria Dmítrievna, com receio que possa ocorrer um duelo, pede a Pierre que afaste o seu cunhado de Moscovo, pedido que prontamente é acedido.

Entretanto Andrei regressa a casa e logo é informado quer do rompimento do noivado, quer dos rumores de circulam em Moscovo, sobre o rapto da jovem Rostova.
Pierre vai visitar o amigo e, para sua surpresa, encontra-o algo animado a conversar com o pai sobre a guerra.
No entanto, num momento a sós, Andrei entrega a Pierre todas as cartas enviadas por Natacha e pede que lhas devolva, pedindo ainda para que não se volte a falar sobre ela.

Pierre acede ao pedido do amigo, dirigindo-se novamente a casa de Maria Dmítrievna e encontra uma Natacha mais emagrecida, triste, que recentemente se tentara envenenar com arsénico.
Esta visão desperta nele um renovado sentimento de ternura pela jovem Rostova e, terminamos este 2º tomo

– Se eu não fosse eu, mas o homem mais bonito, mais inteligente e melhor do mundo, e fosse livre, ajoelhava-me neste instante e pedia-lhe a sua mão e o seu amor.
Natacha, pela primeira vez depois de muitos dias, chorou lagrimas de gratidão e de ternura e, lançando um olhar a Pierre, saiu da sala.” (p. 643)

Concluímos assim este 2º tomo com um Pierre tranquilo e acalentado, uma Natacha destroçada, e um Andrei desiludido.

Parecia a Pierre que aquela estrela correspondia inteiramente ao que havia na sua alma apaziguada e animada, que florescia para uma nova vida” (p. 644)

 
 
E foi isto!
Esta parte termina novamente um pouco em aberto, deixando o rumo da história aberto a todas as possibilidades.

Quem mais já concluiu este segundo tomo do livro? O que estão a achar?
Não se esqueçam de deixar o vosso comentário!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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❤ Para os curiosos: Os post it cor-de-rosa correspondem a anotações do 1º Tomo e as amarelas a anotações do 2º

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