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terça-feira, 21 de junho de 2016

Li // O Grande Meaulnes de Alain Fournier

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de ‘O Grande Meaulnes’.

Este romance foi escrito em 1913 por Alain-Fournier – pseudónimo de Henri-Alban Fournier – um soldado francês que, apenas um ano após o lançamento do seu único romance, foi morto numa batalha durante a Primeira Guerra Mundial.

Apesar de ser a única obra completa do autor (foram postumamente publicados alguns dos seus escritos, como poemas, ensaios e correspondência) foi o suficiente para ser considerado um clássico da literatura francesa.


A história é-nos contada por François Seurel que recorda quando, aos 15 anos, desenvolveu uma grande amizade com Augustin Meaulnes, dois anos mais velho.

François é filho do Sr. Seurel – um diretor de escola numa aldeia de Sologne, uma região rural de lagos e florestas – e inicia a sua narrativa quando Augustin Meaulnes se junta à sua turma, em Novembro de 1890.

O carisma de Augustin rapidamente faz com que todos os meninos da turma o idolatrem, queiram ser seus amigos e logo o passem a tratar por Grande Meaulnes.

Um dia, sob o pretexto de ir buscar uns visitantes à cidade, Meaulnes leva um cavalo e um carrinho da escola, e desaparece por três dias, sem qualquer explicação.
Quando regressa, cansado e atordoado, parece muito renitente a contar o que se passou nesses três dias de ausência.

No entanto, aos poucos, Meaulnes confia o seu segredo ao seu amigo François, revelando-lhe ter-se deparado, acidentalmente, com uma bela casa antiga – perdida no meio da floresta – onde relata ter ido a uma festa mágica, na qual decorriam os preparativos de um casamento, sendo nessa festa que Meaulnes conhece uma rapariga encantadora - Yvonne de Galais.

No entanto, antes da cerimónia, o casamento é cancelado por desistência da noiva, todos regressam aos seus lares e Meaulnes fica sozinho, sem saber do paradeiro de Yvonne.

Regressando à escola, Meaulnes tenta traçar um plano de forma a reencontrar o caminho para o domínio perdido, bem como a sua adorada Yvonne.

Não vou revelar mais do desenrolar da história, para não estragar a leitura a quem pretender ler, mas assistimos a uma busca romântica e insistentemente de Meaulnes pelo seu amor perdido.


O facto da história nos ser contada, não por Meaulnes mas por François, e com o desfasamento de alguns anos, envolve toda a historia numa certa nostalgia, como se visualizássemos os acontecimentos através de uma bruma.

Além disso, o próprio cenário campestre, repleto de árvores, sombras e casas envelhecidas, acentua o caracter místico desta história, parecendo, por vezes, que a realidade vivida se funde com o sonho ou a imaginação.

O final do livro deixa-nos com uma sensação agridoce, uma vez que é simultaneamente belo e triste.

Este livro tornou-se muito especial para mim, primeiramente pela sensação de sonho que proporciona, pela escrita delicada – embora não necessariamente simples – e por ser o primeiro a que atribuí cinco estrelas este ano.

Além disso, foi para mim extremamente difícil arranjar uma edição (uma vez que se encontra esgotado), e quando finalmente consegui este exemplar, da Relógio D’Água, qual não foi a minha surpresa ao perceber que se tratava de um exemplar novo, numa primeira edição de Abril de 1987… o mês e ano do meu nascimento.

Enfim, não sei que mais palavras usar para vos demonstrar o quanto gostei deste livro por isso recomendo apenas: leiam-no. Mas leiam-no conscientes que não é difícil perdermo-nos neste bosque de ilusões perdidas.

Espero que tenham gostado!
Um grande beijinho e até à próxima!

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