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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Lendo Guerra e Paz #3 // Tomo I – 2ª e 3ª Partes

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho conversar mais um pouquinho sobre a leitura de Guerra e Paz, desta vez até ao final do 1º Tomo.

Tomo I – 2ª Parte

A segunda parte deste livro começa em Outubro de 1805 com a descrição dos preparativos da iminente guerra franco-russa.
É nesse momento, na batalha de Schöngrabern, que Nikolai Rostov, ao lado do Capitão Deníssov tem seu baptismo de fogo.

Tendo como fundo os altos e baixos desta batalha, vão-nos sendo apresentados alguns personagens como o General-Chefe Kutúzov, o General Mack, Nesvítski, o General Kutúzov, entre outros. Importa lembrar que, nesta parte, embora alguns personagens sejam ficcionados, muitos dos Generais e comandantes referidos foram figuras histórias reais.
Nesta parte lemos algumas descrições de cenas de Guerra um pouco mais pesadas e, um ponto interessante neste contexto, são os pensamentos de Rostov em relação à morte e à perda.

“Quem são eles? Porque vêm a correr? Será para mim? Será para mim que correm? E para quê? Para me matarem? A mim, de quem todos gostam tanto?” Lembrou-se do amor da mãe, da família, dos amigos, e a intenção de o matarem pareceu-lhe impossível. (p. 209)

Tomo I – 3ª Parte

1 No início da 3ª parte temos um regresso ao núcleo de Petersburgo e tomamos conhecimento do que decorre na vida de Pierre Bezúkhov.
Pierre, um homem agora enriquecido, graças à herança de seu pai, começa a ser visto como um bom pretendente por parte das meninas casadoiras da sociedade de Petersburgo.
Neste contexto, e prevendo os benefícios que daí poderiam advir, o Príncipe Vassíli Kuráguin força uma proximidade entre Pierre e a sua filha, Hélène.

Pierre, fruto de alguma ingenuidade, deixa-se influenciar por todo um clima de bajulação, sendo que “até as pessoas que dantes eram más e manifestamente hostis se tornaram meigas e amáveis com ele” (p.222)
Nesse grupo inclui-se ainda Anna Pávlovna que, sendo amiga do Príncipe Vassíli, também procura instigar no jovem o interesse por Hélène Kuráguina, enaltecendo as qualidades da moça a cada oportunidade.

Assistimos a todas a artimanhas desenvolvidas para juntar o jovem casal e, no final do 2º capitulo Pierre casa com Hélène.

2 Depois de ter casado a filha, o Príncipe Vassíli tenta dar um rumo à vida do seu filho mais boémio – Anatole – procurando, para isso, casá-lo com uma jovem de boas famílias.
É com essa ideia que o príncipe, acompanhado pelo filho, vai visitar o velho Príncipe Nikolai Bolkónski (pai de Maria e Andrei, lembram-se?), com o intuito de que Anatole peça a mão de Maria Bolkónskaia em casamento.

Acontece que, durante o período em que Maria deve pensar na proposta, Anatole resolve envolver-se com Mademoiselle Bourienne, a dama de companhia de Maria.

Maria assiste a tudo e, estando já pouco inclinada para a ideia de se casar, resolve dedicar a sua vida a cuidar do pai, deixando Mademoiselle Bourienne livre para casar com Anatole.

3 Após estes acontecimentos, voltamos ao núcleo em Guerra, regressando à Batalha de Austerlitz.
Nesta batalha, voltamos a assistir a alguns momentos tensos, entre eles o momento em que as é feita a revista das tropas russas e austríacas, sendo os mais de 80 mil homens revistos pelo imperador russo e austríaco, respectivamente acompanhados do Czarévitch e do arquiduque.

Cada general e cada soldado tinha consciência da sua insignificância, sentia-se um grão de areia naquele mar de gente, e ao mesmo tempo tinha consciência do seu poder, ao sentir-se parte daquele todo imenso”. (p.267)

Entre estas descrições, temos alguns momentos de alívio cómico, nomeadamente quando percebemos que Rostov tem um momento de paixão assolapada pelo soberano Czarévitch.

Mas tal como um jovem apaixonado treme e enlanguesce, sem ousar dizer aquilo com que sonhou à noite, e olha em volta assustado à procura de ajuda ou da possibilidade de adiamento ou de fuga, quando chega o momento desejado e fica a sós com ela, assim estava agora Rostov, sem saber como se aproximar do soberano, e surgiam-lhe milhares de considerações segundo as quais isso era inconveniente, improprio e impossível” (p. 313)

Agora tanto faz! Se o soberano está ferido, porque hei de eu tentar salvar-me?” (p. 312)

No final deste tomo assistimos ainda à cena em que Andrei cai em batalha e é feito prisioneiro por Napoleão. Contudo, para surpresa de Andrei, Napoleão trata-o com respeito e providencia-lhe cuidados médicos, entregando-o depois, aos cuidados dos habitantes locais, terminando aqui o primeiro tomo.


‘… o príncipe Andrei pensava na insignificância da grandeza, na insignificância da vida, cujo sentido ninguém podia compreender, e na insignificância ainda maior da morte, cujo sentido nenhum dos vivos era capaz de compreender nem explicar.’ (p. 319) 

E foi isto!
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Um grande Beijinho e até à próxima!


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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Lendo Guerra e Paz #2 // Tomo I – 1ª Parte

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho dar continuidade ao projecto Lendo Guerra e Paz e falar-vos da 1ª Parte de 1º Tomo. Talvez seja mais fácil, antes de mais, explicar como a obra está dividida para melhor saberem a que momentos me refiro nestes post’s.
A obra esta dividida em 4 Tomos, cada um dividido em varias partes, sendo estes:

Tomo 1 – 3 Partes | Tomo 2 – 5 Partes | Tomo 3 – 3 Partes | Tomo 4 – 4 Partes | Epílogo – 2 Partes

Tomo I – 1ª Parte

Como referi anteriormente, a novela conta a história de cinco famílias aristocráticas, bem com as suas relações e vínculos, durante e invasão da Rússia pelas tropas Napoleónicas.
Nesta primeira parte é-nos então feita a apresentação dos principais personagens e famílias – quase sempre entre soirées, festas e convívios, sendo que eu dividiria esta acção em 4 momentos principais.

1 Apresentação dos núcleos de Petersburgo

A novela começa na cidade russa de Petersburgo, numa soirée dada em Julho de 1805 por Anna Pávlovna Scherer – dama de honra e confidente da rainha mãe Maria Fiódorovna.
Para essa festa, Anna Pávlovna convida as principais famílias aristocráticas da cidade, e nesse momento, começamos então a ter contacto com alguns personagens principais:

Príncipe* Vassíli Kuráguin – um importante alto funcionário, é pai de:
Ippolit – descrito como imbecil quieto.
Anatole – descrito bon vivant.
Hélène – descrita como jovem de beleza extraordinária.
♥ Pierre Bezúkhov – Filho ilegítimo de um conde abastado (que se encontra à beira da morte), foi educado pela sua mãe em França. É descrito como jovem gordo, desajeitado, que não sabe bem como se comportar em certas situações formais, principalmente diante da alta sociedade. É ainda retratado como sendo algo ingénuo, embora benevolente e simpático.
♥Anna Mikháilovna Drubetskaia – De uma das melhores famílias da Rússia, porém pobre, procura manter o contacto com a alta sociedade e as pessoas mais influentes, no sentido de assegurar futuro para o seu filho Bóris.
♥ Príncipe* Andrei Bolkónski – Nobre, casado com Lise Meinen, é filho do velho e excêntrico Príncipe* Nikolai Bolkónski e tem uma irmã, a princesa Maria.

Neste serão, ao conhecer estes personagens e através dos seus diálogos, começams já perceber a posição de alguns em relação a Napoleão.

Após esta soirée, encontramos Andrei Bolkónski, em sua casa, a conversar com o amigo Pierre e percebemos que se encontra descontente com o rumo do seu casamento e que, apesar sa sua esposa estar grávida, Andrei planeia alistar-se como ajudante de campo do príncipe Mikhail Kutúzov na resistência militar russa perante a invasão napoleónica.

2 ♥ Apresentação dos núcleos de Moscovo

Posteriormente ao serão em casa de Anna Pávlovna, Tolstoi leva-nos para Moscovo, para uma festa em casa dos Rostov. Aqui celebra-se o dia da Santa das Natálias, santo onomástico da matriarca da família – a condessa Natália Rostova – bem como da filha mais nova – Natacha (Natalia Ilyinichna).
Importa lembrar neste ponto que, apesar de a data ser celebrada como um aniversário, não era exactamente disso que se tratava. era comum os russos receberem nomes de santos e assim, o dia desse santo, no calendário da Igreja Ortodoxa, era comemorado como o aniversário da pessoa.

Nesta festa ficamos então a conhecer a família Rostov, constituída pelo casal –
Conde Iliá Rostov e Condessa Natália Rostova – e os seus quatro filhos:
♥ Natacha, supostamente apaixonada por Boris (o filho de Anna Drubetskaia, lembram-se?)
Nicolau, que faz juras de amor à sua prima mais nova, Sónia (Sofia Alexandrovna).
Vera, a filha mais velha, que é descrita como fria e, de alguma forma, arrogante.
♥ Pétia (Pyotr Ilyich), o elemento mais novo da família Rostov.

No início da leitura senti muitas vezes a necessidade de apontar os nomes de alguns personagens, bem como as relações entre eles, uma vez que são imensos e, convenhamos, os nomes russos não são os mais simples do mundo. Alem disso, cada personagem pode ser tratado por mais de uma forma, o que não ajuda a reconhecer quem é quem.
Para facilitar a leitura, acabei por criar um pequeno esquema com a genealogia de cada personagem, para não me perder tanto nesta parte inicial da história.



3 ♥ Morte de Conde Bezúkhov

Assistimos posteriormente a um momento, em casa do Conde Kirill Vladímirovitch Bezúkhov no qual alguns parentes e amigos se reúnem, para velar pelo (endinheirado) Conde, que se encontra no sei leito de morte.
Como já referi Pierre é filho ilegítimo do Conde e é visto pela família como a principal razão para o Conde se encontrar tão mal. Isto é, acusam Pierre de, com o seu comportamento desgovernado, ter contribuído para os ‘ataques’ do Conde e a consequente deterioração da sua saúde.
Apesar de Pierre não se interessar particularmente pelo dinheiro, acaba por se deixar influenciar por Anna Mikháilovna que afirma querer ajudá-lo a lutar pelos seus direitos. Paralelamente Anna lembra a Pierre que o Conde é Padrinho de Boris (seu filho) e que por essa razão também deveria ser tido em conta aquando as partilhas de bens.

Assistimos a todos os ritos fúnebres e quando, por fim, o Conde Kirill morre, descobrimos que deixou a maior parte da sua herança a Pierre – o filho ilegítimo – tendo deixado as restantes filhas (estas sim, legitimas) sem grandes bens.

4 ♥ Partida de Andrei para a Guerra

Num último momento vamos passar para a casa do Príncipe Nikolai Bolkónski – pai de Andrei – um velho excêntrico, que leva o seu dia-a-dia de forma sistemática e metódica, cumprindo sempre as mesmas rotinas. Nessas suas rotinas, inclui a educação da filha Maria Bolkónskaia, com a qual é extremamente exigente, chegando mesmo a ser cruel.

É neste momento que o príncipe Andrei, decidido a ir para a Guerra, resolve deixar a esposa entregue ao cuidado do seu pai e irmã.


E foi isto!
Quem me está a acompanhar nesta aventura?

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* Nota: O título de 'príncipe', na Rússia, era um título de nobreza equivalente ao de duque, não estando relacionado com a família real. O filho do Czar não era chamado de príncipe, mas sim Czarevich.