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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

6 à 6ª #3 // 6 Coisas que me irritam em Livros

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje trago-vos mais um 6 à 6ª, desta vez com 6 coisas que, enquanto leitora, mais me irritam em livros.

Inicialmente achei que não daria uma ordem a estes itens mas, depois, fui percebendo que sim… há uns aspectos que me irritam mais do que outros, portanto, vamos lá!
Do menos irritante, ao mais irritante…

6º  Capas de livros com cartazes de Filmes

A sério… todo o leitor reclama disto!
Há livros com capas lindíssimas que, depois de verem o seu conteúdo adaptado a filme, ficam condenados a que as suas capas sejam trocadas pela imagem do cartaz do filme.
O pior, é que muitas vezes, os livros previamente editados são recolhidos para que as capas sejam trocadas, o que torna quase impossível voltar a encontrar o livro com a capa original.
Eu entendo que, para quem não tenha o hábito de leitura, talvez a capa do filme seja um maior incentivo para pegar no livro mas, para quem já lê regularmente, normalmente esse é motivo de decepção.
E a solução é tão simples: Ponham uma sobrecapa no livro! Assim que a quiser manter, mantém! Quem não quiser, pode remover a sobrecapa e ficar com a original!

5º  Traduções irreconhecíveis de títulos

Começo a ouvir falar loucamente de um livro pelos youtubes estrangeiros e quero mesmo lê-lo! Procuro a edição em português…
Não encontro em lado nenhum e, depois de um intenso trabalho de pesquisa, descubro que, afinal, o determinado livro X que eu queria muito ler, até já está traduzido para português… mas com um título que não lembra a ninguém, e que eu nunca associaria ao original.
A Joca, do Little House of Books, fez um vídeo excelente com exemplos daquilo que estou a tentar dizer, e que podem ver nos links seguintes:

4º  Pormenores desnecessários na capa

Nesta categoria vou incluir dois itens: etiquetas na capa, e frases promocionais que não interessam a ninguém.
Etiquetas e autocolantes já toda a gente sabe que são dispensáveis… principalmente aqueles que, para remover, trazem metade da tinta da capa junto! E o que costumam vir nessas etiquetas? Avisos de desconto ou frases promocionais que, em situações ainda mais graves, vêm impressas na própria capa…
Quem já não se deparou com um aviso ‘O melhor romance desde X…’ impresso na capa de um livro?
A sério? E se eu não gostar dos livros X? Vou logo desdenhar este tal que agora vem com avisos na capa e talvez sem necessidade. Ou pior ainda, gostei do livro X e agora vou criar alta expectativa ao ler o livro novo, sempre a comprara-lo lá com o tal X…
E o pior é não poder, muitas vezes, remover essa informação da capa.
A solução? Pôr uma cinta em torno do livro, com essas informações… Mais uma vez, quem quiser manter essa cinta, mantém… Quem não quiser, põe na reciclagem e fica com a capa lindinha, sem qualquer tipo de adereço extra.


3º  Notas de edição no final do Livro

Estamos a ler um livro tranquilamente quando aparece uma observação ou nota assim1. Aí, para consultarmos o 1, temos que interromper a leitura, avançar não-sei-quantas páginas e ler o que está escrito… Irrita-me um pouco, confesso!
Tão mais simples, quando basta deslizar o olhar para o fundo da página e lá está o explicativo 1.

2º  Falta de continuidade nas Edições

Irrita-me um pouco quando, por alguma razão, uma editora interrompe a publicação de uma série para depois, outra editora recomeça a editar essa mesma série. Entretanto, por qualquer razão, essa segunda editora lembra-se de mudar o design da capa mas já não recomeça a série do início, alterando a capas a partir do 3º volume…
Aí, alguém como eu, que quer a série toda, já não encontra todos os volumes da primeira editora, que entretanto deixaram de se produzir, e da segunda editora encontra com duas edições diferentes, que pouco ou nada combinam e pronto…
Para se ter a colecção toda, temos que ceder e ter um volume de cada nação.
Fiz-me entender?
Para ilustrar esta história posso falar-vos, por exemplo, dos livros da Philippa Gregory, em que, quer a série Tudor, quer a série Guerra dos primos, estão divididas entre edições da Editorial Planeta e da Civilização Editora e, quem quiser adquirir as series todas de uma vez, já não encontra todos os volumes numa mesma linha editorial.

1º  Edições divididas

Saí um livro novo e, o original tem cerca de 600 páginas! Ok, excelente!
Vamos traduzi-lo para português e o que resolvemos fazer? Dividir o livro em duas partes.
Sim, porque um livro de 600 páginas (e que custaria cerca de 30€) é muita coisa, por isso vamos dividi-lo em dois livros de 300 páginas cada e vender cada uma das partes por uns míseros 20-22€.
Além de gastarmos mais dinheiro, ainda temos, muitas vezes, que esperar pelo lançamento da 2ª parte… Só grandes ideias!

E pronto! 
Estas foram apenas 6 das coisas que me irritam em livros (descobri que poderiam ser muito mais…)
E vocês? O que vos irrita nos livros?
Concordam com alguma coisa do que referi?
E que tópicos gostariam de ver abordados no próximo '6 à 6ª'?

Espero que tenham gostado do post e não se esqueçam de deixar o vosso comentário.
Um grande Beijinho e até à próxima!


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Imagem daqui

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Li // Alice No País das Maravilhas (Lewis Carroll)

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de um livro cuja história, certamente já todos conhecemos ou ouvimos falar: Alice No País das Maravilhas.

Conheci a história, talvez como a maioria da minha geração, através da longa-metragem adaptada pela Disney em 1951. Adorava essa animação!
Mais recentemente, em 2010, recordei a história através da adaptação dirigida por Tim Burton.

Mais tempo se passou e só este ano li a história original… A que deu origem a todas estas adaptações!


O Livro

Alice's Adventures in Wonderland (Alice No País das Maravilhas) foi escrito por Lewis Carroll (pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson). 
Sendo publicado a 4 de Julho de 1865 em Londres, é, actualmente, considerada uma obra clássica da literatura inglesa e uma das mais célebres do género literário nonsense.

O livro conta a história de Alice, uma menina curiosa que, ao seguir um coelhinho branco, cai na sua toca e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas.

Alice vai explorando esse País das Maravilhas, tomando conhecimento dos indivíduos que lá habitam: Bill, um Lagarto faz-tudo que vive a receber ordens, uma Lagarta azul que passa os dias a fumar um cachimbo de água, o eterno chá na casa da Lebre de Março, acompanhada do Chapeleiro Maluco e do Arganaz dorminhoco, o inesquecível Gato Cheshire e, claro, a Rainha de Copas, injusta e cruel, sempre disposta a mandar cortar a cabeça de qualquer um e por qualquer motivo.

Considerada uma história nonsense, ou seja, totalmente sem sentido, estes diferentes personagens e diferentes núcleos, são-nos apresentados de forma completamente fantasiosa e repleta de situações invulgares e esquisitas, remetendo-nos para a lógica do absurdo muito característica dos sonhos.

Dividido em 12 capítulos, a história é curta e fluída, narrada numa escrita simples repleta de metáforas. Além disso, o livro está repleto de alusões satíricas dirigidas ao circulo de amigos (e outros não tão amigos) do autor, bem como de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e ainda de trocadilhos e referências linguísticas.

Este livro possui uma continuação – Alice do Outro Lado do Espelho – sendo que, actualmente, as duas histórias são muitas vezes editadas um livro só.

Esta edição vem com as ilustrações originais, de John Tenniel (muito conhecido pelas ilustrações das Fábulas de Esopo) que dão um toque de magia à história.


A minha opinião

Então… como expor a minha opinião sem ser completamente achincalhada pelos fãs da história?
A verdade é que me desiludi! Talvez por ter ido com muita sede ao pote – demasiada expectativa – acabei por me desiludir.

Como vos disse, adorei a adaptação da Disney e criei, no meu imaginário, uma Alice curiosa, divertida que, apesar de cair num cenário completamente sem sentido, alinha na situação e vai seguindo o seu rumo.

Já no livro, achei a Alice uma personagem extremamente... chatinha! Racionaliza muito o que se passa à volta dela o que, para mim, não faz sentido nenhum! 
Vamos lá explicar-nos… que criança é que, estando num País das Maravilhas, repleto de fantasia e situações inusitadas, se põe a racionalizar sobre o que tem lógica e o que é absurdo? É uma criança, e esta Alice, não pensa como uma criança, .
Enfim… Quebrou-se o meu mito da Alice!

Além disso, quanto às mensagens subliminares que ‘só adultos irão entender’, mais uma vez, vi-os sim… mas na adaptação da Disney! (E não... não sou das que acha que Alice é uma alucinada viagem ao mundo das drogas... Nada disso!).
Isto talvez aconteça por eu não ser uma Inglesa do Séc. XIX e, muitas das referências do livro (a costumes, características, rimas e piadas) me terem passado ao lado.
Talvez um dia, quando estudar mais sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, possa entender melhor a história e apreciá-la melhor.
Até lá, fica-se a aguardar por uma edição comentada... talvez isso me ajudasse!

Sei de imensa gente que faz colecção dos livros em diferentes edições – algumas delas lindíssimas – e tenho realmente pena de não ter gostado tanto assim ao ponto de querer investir numa edição mais caprichada… Gostava de ser daquelas pessoas que tem um livro do qual gosta tanto, mas tanto, que colecciona edições.


E foi isto!
Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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Onde adquirir o livro?  
♥ Alice no País das Maravilhas: aqui | ♥ Alice do Outro Lado do Espelho: aqui | ♥ Edição conjunta: aqui | ♥ Edição Comemorativa - Especial para Crianças: aqui.

sábado, 14 de novembro de 2015

TAG // Chatice Literária

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje trago-vos uma TAG sobre chatices literárias.
Vi esta TAG faz já muito tempo no Canal LidoLendo, da Isa Vichi e resolvi, finalmente, responder à mesma.
Pelo título, já dá para perceber que vou falar de livros menos queridos por mim mas, por favor, não me odeiem se eu mencionar algum dos vossos favoritos. Sim?

Vamos então às questões?


1 Livro que achaste que seria bom, mas foi chato
O Leão de Oz, sem ter que pensar muito… Os primeiros dois livros da colecção são espectaculares, então fui – obviamente! – cheia de espectativa para este terceiro volume… Que desilusão!!
Tem resenha aqui.

2 Livro que todos dizem que é fantástico mas que tu não gostaste
Alice No País das Maravilhas… Lamento!
Não consegui afeiçoar-me à Alice (achei-a chata!) e não consegui entrar no universo da história…
Muito em breve terá resenha deste livro no blog e, aí, vão poder perceber melhor a minha opinião.

3 Livro que tinha tudo para ser bom, mas é chato.
Achei esta pergunta um pouco semelhante à primeira e poderia facilmente manter a minha resposta: O Leão de Oz. O livro tinha tudo para ser bom!
No entanto, para não repetir a resposta vou escolher O Deus das Moscas de William Golding. O livro tinha tudo para ser bom e o início realmente é bom mas depois, com o desenvolvimento da narrativa, comecei a cansar-me do livro. Não gostei dos personagens e não gostei do rumo que a história levou… Sei que muita gente adora este livro mas, definitivamente, não foi para mim.

4 Livro com o personagem principal intragável.
O Estrangeiro de Albert Camus.
O personagem principal – Meursault – é um personagem apático, sem ambição, que se deixa arrastar pelas situações envolventes sem fazer nada para se impor ou mudar a sua situação.
Apesar de não ser uma pessoa propositadamente má, enervou-me pela sua ausência de carácter.


5 Livro com o final terrível.
Hummm… não me consigo lembrar de um livro com um final terrível mas, um livro cujo final me deixou um bocadinho desapontada foi o Marina de Carlos Ruiz Zafón.
Isto porque achei que o livro caminhava para um final com um toque sobrenatural e, afinal, todo ele foi sci-fi.
Não é que tenha desgostado do livro, mas achei o final um pouco estranho.

6 Universo onde não gostarias de ‘morar’.
Universo dos Jogos da Fome… Duraria 2 minutos numa arena! A correr bem…
A correr mal não seria seleccionada para os jogos e teria, todos os anos, inevitavelmente, que ver algum conhecido, amigo ou ente querido a morrer nos jogos.
Por isso, definitivamente, Panem não é para mim.

7 Livro que tens na estante, mas tem medo de ler por parecer chato.
Não é uma questão de medo… é mais uma questão de preguiça. E o livro eleito é
O Império dos Pardais de João Paulo Oliveira e Costa. É um romance histórico que está na minha estante há muiiito tempo, tem mais de 500 páginas...
É! Sei que quem o leu gostou, mas dá-me preguiça de o ler!

8 Livro que tinha tudo para ser chato mas foi bom.
Normalmente, quando um livro tem tudo para ser chato, torna-se chato mesmo… No entanto, para responder a esta pergunta vou referir Stoner de John Williams. Não me interpretem mal, eu adorei este livro! No entanto, se analisarmos bem a sinopse, tem realmente tudo para ser chato: é a vida de um professor comum, desde que entra na faculdade até que morre. Tem uma vida simples, sem grandes reviravoltas, e pronto. Dito assim tem tudo para ser chato.
No entanto, a escrita de John Williams é tão cativante, que a história deste homem simples torna-se uma história quase poética.
Foi um dos meus livros favoritos deste ano.


E é isto!
Gostaram da TAG? Que livros consideram chatos?
Não se esqueçam de deixar a vossa opinião nos comentários e, se reponderem à TAG, deixar o link! Vou adorar conhecer as vossas respostas!

Espero que tenham gostado...
Um grande Beijinho e até à próxima!

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sexta-feira 13

Num dia em que os gatos pretos continuam a ser vítimas de superstição, apresento-vos o Draco. O meu gatinho preto, adoptado da rua e que, até hoje, só me trouxe sorte!



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Li // Os Mutilados de Hermann Ungar (e um pouco sobre a E- Primatur)

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho, finalmente, falar-vos do incrível Os Mutilados de Hermann Ungar.

A minha história com este livro é interessante uma vez que o comprei simplesmente por ter gostado do conceito da editora que o publicou – a E-Primatur. Por isso, antes de vos falar do livro propriamente dito, quero contar-vos um pouco mais sobre isso.

Sobre a E- Primatur

Conheci esta editora através de uma publicação partilhada no Facebook e logo fiquei seduzida pelo conceito da mesma.

A E-Primatur parte de uma ideia base que consiste em dar voz aos leitores, percebendo o que é que o público realmente quer ler.
Esta voz é-nos dada através de um processo de crowdpublishing, isto é, só serão editados livros cuja produção seja viabilizada pelo público.

Eu explico melhor:
As propostas de livros a editar são apresentadas, com seis meses de antecedência, na plataforma da editora (aqui) e é estipulado o valor necessário para tornar a edição do livro em realidade.

Nessa fase, quem se interessar pelo livro e quiser viabilizar a edição do mesmo, poderá fazer uma doação de um valor previamente definido e corresponde a cerca de 2/3 do preço de capa que o livro terá quando estiver nas livrarias.
Quando o valor necessário para a edição tiver sido atingido, todos os leitores que tiverem feito a doação e tenham, dessa forma, ajudado o livro a tornar-se realidade, receberão um exemplar em casa, sem qualquer custo adicional. 

Caso o valor necessário para a produção do livro não seja atingido, poder-se-á dar um de dois casos:
1) O dinheiro é devolvido aos apoiantes;
2) O Projecto E-Primatur cobre a verba em falta, tornando o livro uma realidade.

Desta forma, o crowdpublishing assumir-se-á também como uma forma de sondagem do mercado… Uma forma de perceber o que é que as pessoas realmente querem ler.

Numa primeira fase, será a própria editora a seleccionar os títulos a projecto, centrando-se principalmente na edição clássicos modernos – nacionais ou estrangeiros – inéditos ou há muito esgotados. Isto é, obras essenciais que estão indisponíveis no nosso mercado e, que de alguma forma, marcaram a literatura.

A partir do segundo ano, pretende-se que leitores, colaboradores, críticos, jornalistas, livreiros e todos aqueles que gostam de livros e da leitura façam as suas sugestões de títulos a editar.


Assim que um livro esteja impresso, entra no circuito comercial de distribuição nas livrarias.

Iniciando a sua actividade com a publicação de títulos inéditos em Portugal como Voss de Patrick White (um Prémio Nobel há muito esquecido pelas editoras) ou como O Salão Vermelho de August Strindberg e O Caso do Camarada Tvlayev de Victor Serge – ambos livros incluídos na lista dos 1000 Romances que todos deveriam ler do The Guardian – esta editora promete!


Sobre o autor

Hermann Ungar foi um escritor judeu, nascido na Morávia quando esta ainda pertencia ao império Austro-Húngaro. Embora soubesse checo, escrevia em alemão.
Funcionário no Ministério dos Negócios Estrangeiros da antiga Checoslováquia, Ungar escreveu e publicou a sua primeira obra –  Meninos e Assassinos – em 1920, impondo-se logo junto à crítica. Contudo, foi com Os Mutilados de 1923 e com O Assassinato do Capitão Hanika de 1924 que Ungar se estabeleceu no círculo de intelectuais de Berlim, afirmando-se como escritor.

Foi lido e apreciado por Thomas Mann e Stefan Sweig e traduzido para o francês, sendo que, quando publicado em França, o seu nome foi saudado como o do grande renovador da literatura de expressão alemã.
Morreu em 1929, vítima de uma vulgar apendicite.

Com a chegada do regime nazi, Ungar já não viveu para ver as suas obras encabeçarem a lista de livros a destruir na Bücherverbrennung de 1933. As suas obras foram queimadas por toda a Europa e o seu nome praticamente caiu no esquecimento.

No final dos anos 80, com a publicação de uma nova tradução francesa da sua obra, Ungar foi ressuscitado, voltando a merecer as atenções do universo literário.
Foi posteriormente traduzido em mais de duas dezenas de línguas, vendo novamente o seu nome a figurar no cânone da literatura europeia.

Profundamente influenciado por Dostoievsky e por Freud – como o foram muitos dos escritores do leste europeu dos anos 1920 – Ungar criou uma obra povoada de figuras psicanalíticas, que testam até aos limites mais negros o tecido social e abordam temáticas de choque como a sexualidade e a doença psicológica.


Sobre o livro – Os Mutilados

Neste livro é-nos contada a história de Franz Polzer, um funcionário de um banco, que vive num quarto alugado na casa de uma viúva judia de classe baixa, e que é perseguido por um medo terrível de que aconteça na sua vida, algo que ele não controle.

Polzer é um homem de alma triste, neurótico e socialmente inepto, que procura viver uma vida o mais metódica possível, sem surpresas nem sobressaltos, num ambiente previsível, controlado e tranquilo.
É um homem simples, que vive os seus dias rotineiramente e que é frequentemente atormentado por recordações do seu passado e alucinações dementes envolvendo o seu pai a sua tia.

Logo nas primeiras páginas no livro conseguimos reconhecer estas características em Polzer, percebendo-se leves traços de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – sendo que o personagem vive em constante estado de alerta, na procura de manter a ordem das coisas.

Além disso, Polzer está num constante sofrimento, por antecipar diversas situações, sempre com o mais trágico desfecho possível.
Eu dou-vos um exemplo:
Num determinado momento, a senhora Porges oferece a Polzer um chapéu que tinha pertencido ao seu falecido marido. Após usar o chapéu uma única vez, e em consequência de determinado acontecimento, Polzer diz à sua senhoria que não quer mais usar aquele chapéu. A senhora Polzer sugere-lhe então que ele o venda… 
Esse acontecimento é suficiente para Polzer imaginar que terá ofendido a senhora Porges, que esta o expulsará do quarto que aluga, que terá que procurar um novo lar mas que os novos senhorios serão desonestos, será assaltado aquando a mudança, haverão crianças na casa nova, Polzer ficará doente e terá que faltar no Banco e o trabalho amontoar-se-á na secretária… enfim! Uma bola de neve.


Além de tudo isso, Polzer vive ainda com uma repulsa pelos corpos femininos, pela sexualidade e por qualquer relação social, sendo que, as únicas pessoas com quem Polzer ainda mantém alguma relação, são Karl Fanta – um amigo de infância, que sofre de uma terrível doença que faz com que os seus membros tenham que ser, gradualmente, amputados – e o filho adolescente deste, Franz Fanta.
Polzer testemunha então a deterioração física e mental do seu amigo, que se revela um personagem revoltado e bruto nas palavras e, curiosamente, muito interessado em conhecer a senhora Porges, senhoria de Polzer.

Mesmo protegido pelo seu comportamento compulsivo e pela sua tentativa de manter a rotina, Polzer acaba inevitavelmente por ser engolido pelo mundo dos outros, envolvendo-se numa teia de mentiras, sexo e violência.

Escrito de forma provocante e perturbadora, este livro vai abordar temas como o trauma, a religião e a sexualidade, abordando questões como o incesto, a violação e o masoquismo.

Todos os personagens da história são complexos, bem construídos e é difícil não criar, quase logo de inicio, alguma empatia por Polzer e até mesmo alguma pena pela situação em que este se vê envolvido bem como, aliado a isso, um sentimento de repulsa pelos restantes personagens.

Em jeito de conclusão, devo dizer que é um livro forte – pela temática e pela escrita – que nos consegue provocar, em diversos momentos, um nózinho na garganta.

O único reparo menos positivo que tenho a fazer a esta edição, é o facto de ter encontrado, ao longo da leitura, algumas gralhas. Nada de significativo para a compreensão das frases, mas ainda assim algo a notar.
Pelo que sei, esta edição terá um número limitado de exemplares, no entanto, se houver alguma edição futura, uma nova revisão não será má ideia.

De resto, continuo muito interessada no conceito da editora e muito tentada a adquirir novos títulos.
E vocês?
Já conheciam esta editora? E esta obra?
Espero que tenham gostado do post e não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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Nota: Em Fevereiro de 2016 foi, de facto, lançada uma nova edição de Os Mutilados. A editora, assumindo os erros de revisão da 1ª edição, fez questão de enviar, em jeito de desculpas, um novo exemplar do livro a quem o adquiriu em regime de crowdpublishing  através da plataforma da editora.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Novos na Estante #1 // Outubro 2015

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho mostrar-vos os meus novos livros, adquiridos ao longo do passado mês de Outubro. 
Este ano assumi que compraria apenas 13 livros (um livro por mês + um extra em Abril – mês do meu aniversario) mas devo dizer-vos que já excedi um pouquinho o meu ‘orçamento’ para 2015.

Esta decisão de diminuir o número de compras prendeu-se unicamente ao facto de eu ter uma pilha imensa de livros por ler cá em casa, alguns deles há já bastante tempo… 

(Ainda que, bem vistas as coisas, se eu ler mais livros do que os que compro, o saldo vai diminuindo, certo? Por isso o importante é continuar a ler e pronto! Concordam?)

Vamos então aos livrinhos?

❤ Butcher’s Crossing (John Edward Williams)

Conheci a obra de John Williams apenas este ano, com o livro Stoner e, desde esse momento, fiquei com imensa vontade de conhecer mais do autor. Não é por isso de estranhar que me tenha atirado logo a este livro, mal o vi em pré-venda (sim, eu compro livros em pré-venda…)

Neste livro conta-se a história de Will Andrews, um jovem cansado da sua vida em Harvard que se muda para Butcher’s Crossing para descobrir na natureza o seu 'eu inalterado'.
É nesse vilarejo que Will encontra o seu mentor – Miller, um caçador de poucas falas, que conhece o refúgio da última grande manada de búfalos.
Seduzido pela promessa de aventura, Will junta-se à expedição em que quatro homens marcham, numa luta épica contra o tempo, a sede e os elementos. Depois de chegarem ao vale, o que se segue é uma carnificina... e a viagem iniciática de Will ao coração das trevas.

Já comecei a ler o livro – estou bem no iníciozinho – mas já completamente deliciada com a escrita do autor.

Podem encontrar este livro aqui.

❤ Os Mutilados (Hermann Ungar)

A história deste livro é interessante: comprei-o, simplesmente por ter gostado do conceito da editora (que podem conhecer melhor aqui).

Nunca tinha ouvido falar desta obra, nem deste autor mas, ainda assim, a sinopse chamou a minha atenção: ‘A história de um empregado bancário neurótico e socialmente inepto cuja grande ambição é a criação de uma vida controlada e sem surpresas mas que é arrastado numa cadeia de eventos para o caos total’.

Li este livro mal terminei ‘os trabalhos’ do Mês do Horror e quero muito falar-vos sobre ele, pelo que haverá, muito provavelmente, resenha em breve.

Podem adquirir este livro aqui.


❤ O Estranho Mundo de Jack (Tim Burton)

Super clássico infantil que marcou definitivamente a minha infância.
Apesar de ter visto o filme umas quantas vezes e de conhecer bem a história, não tinha o livro com o poema original. Falha enorme que colmatei este mês!
Obviamente, mal o livro chegou a casa, li-o de uma ponta a outra (não é difícil, não é?) e mais uma vez me encantei com as ilustrações do autor.
Apesar de o ter comprado em Outubro só o recebi a 2 de Novembro e, por essa razão, não o inclui nos livros lidos do mês passado.

Para quem não conhece, neste livro é-nos narrada, sob a forma de um poema, a história de Jack Esquelético (Jack Skellington), o Rei do Halloween, que se sente cansado da sua vida repleta de sustos e terror.
Uma noite, enquanto passeia entediado na floresta, Jack encontra algo que nunca vira antes: uma porta esculpida numa árvore. Ao abri-la, Jack entra no mundo alegre e cintilante da Cidade do Natal e, maravilhado com tanta luz e animação, Jack decide raptar o Pai Natal e substitui-lo nesse Natal.

Podem adquirir este livro aqui.

❤ Contos de Natal (Vários Autores)

Este livro – que adquiri já a pensar nas leituras de Dezembro – reúne onze contos de Natal, escritos por onze autores clássicos que, com mestria, retratam o imaginário dessa época festiva.
Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Machado de Assis, e Nikolai Gogol são alguns dos autores que poderemos encontrar neste colectânea de contos.

Não os li ainda, obviamente, porque vou guardar este livro para o mês do natal.

Podem adquirir este livro aqui.


E foi isto!
Agora digam-me, qual o livro que vos suscita mais curiosidade?
Gostam deste tipo de post’s?
Que compras realizaram este mês?

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