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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Li // O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Esta é daquelas obras que, de uma forma ou de outra, já toda a gente tem uma ideia do conteúdo, seja pelas séries, filmes e diversas adaptações da mesma. No entanto, sabendo que a experiência é sempre diferente quando temos contacto com aquilo que realmente saiu da mão do autor, nada é melhor do que ler o livro.

O Retrato de Dorian Gray foi publicado pela primeira vez em Julho de 1890 na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine.
Os editores desta publicação, temendo que a história fosse indecente, e sem o conhecimento do autor, suprimiram cerca de quinhentas palavras antes da publicação. Apesar da censura, a obra ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos, alguns dos quais disseram que Oscar Wilde estaria a violar as leis que protegiam a moralidade pública.

Em resposta, Wilde revisou e ampliou a obra publicada, romanceou alguns elementos, lançando-a, em 1891, em forma de livro.


Sobre a Narrativa

A narrativa desenrola-se na sociedade inglesa vitoriana e conta-nos a história de Dorian Gray – um jovem invulgarmente belo, gracioso, bem-educado e de um caracter cativante – por quem Basil Hallward, um pintor londrino, fica fascinado e desenvolve um sentimento de idolatria.
Determinado a imortalizar a beleza de Dorian numa tela, Basil convence-o a posar para si.

Basil tanto falava e tanto tecia elogios a Dorian que acabou por despertar a curiosidade de Lorde Henry – um aristocrata e amigo próximo – que defende que, acima de todas as coisas, o que realmente importa na vida é o prazer e a beleza: A beleza torna aqueles que a possuem em príncipes, e só dispomos de alguns anos para aproveitar dessa beleza e da juventude sendo que, depois disso, só restarão recordações do passado.

Basil termina então o retrato de Dorian – um retrato de corpo inteiro, pintado a óleo – e a todos surpreende por parecer captar a própria alma do jovem no quadro.

Dorian Gray fica encantado com a beleza do quadro e, influenciado pelo discurso hedonista de Lord Henry, começa a lamentar-se e a sentir-se injustiçado por constatar que o quadro preservará uma eterna beleza, enquanto ele envelhecerá a cada dia, perdendo a grande beleza retratada no quadro.

Horrorizado com este inevitável destino, Dorian expressa a intenção de manter sua beleza e a sua juventude eternamente, desejando que fosse o quadro a envelhecer em seu lugar mesmo que, para isso, fosse necessário dar a sua alma em troca.

Posteriormente, e fortalecido pela influência de Lord Henry, Dorian começa a explorar a sua sensualidade, descobrindo Sibyl Vane, uma actriz de classe baixa, que atua em peças de teatro de Shakespeare.
Dorian impressiona-se tanto com Sibyl que, por várias noites consecutivas vai vê-la nas suas apresentações, sentindo-se o mais apaixonado dos homens. Encantado pelas múltiplas facetas que Sibyl revela em palco, Dorian resolve corteja-la e propô-la casamento.

Nessa noite, preocupado com a aceitação por parte dos seus amigos, Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar na peça Romeu e Julieta.

A apaixonada Sibyl não aguenta a felicidade de sentir-se amada pelo seu ‘Príncipe Encantado’ e percebe que o seu único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro. Desta forma, Sibyl resolve renunciar à sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray.
Desanimado por ela ter abandonar o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que era em actuar que residia a sua beleza… sem isso, ela perderia o seu interesse.

Ao voltar para casa Dorian pensa sobre o sucedido e percebe o quanto foi cruel com Sybil, decidido a, no dia seguinte, tentar reconciliar-se. No entanto, ao olhar para o seu retrato, Dorian apercebe-se de uma subtil alteração… um pequeno trejeito no sorriso.

Dorian compreende então que o seu ‘pedido’ foi atendido, estando a sua alma a habitar o quadro. Assim, o quadro irá não só arcar com o passar dos anos, mas também com as acções – mais ou menos nobres – desenvolvidas por Dorian.

Na manha seguinte Dorian é informado que Sibyl se suicidou com ácido e decide que, a partir daí, nada mais importará além de usufruir da sua eterna juventude, perseguindo uma vida libertina e de experiências amorais.

E será essa, uma decisão inconsequente?


E a partir daqui… contém (todos os) Spoilers!

Num momento seguinte, Lorde Henry oferece a Dorian um livro – um romance francês, de capa amarela, moralmente venenoso – que vai influenciar determinantemente Dorian.

A título de curiosidade: Nunca é, ao longo da narrativa, revelado o título do romance francês de Dorian lê mas, segundo o ‘Oscar Wilde:Art And Morality’ de Stuart Mason, Wilde terá afirmado tratar-se de À rebours, de Joris-Karl Huysmans (Traduzido em Portugal como ‘Ao Arrepio’)

Dorian esconde o seu quadro e satisfaz-se ao perceber que, a cada atrocidade cometida, é o Dorian da tela que vai envelhecendo e adquirindo feições cada vez mais maldosas enquanto ele próprio se mantém fisicamente imutável.

Segue-se então, durante vários anos, uma vida de prazeres, na qual Dorian assume uma conduta fria, interesseira, influenciando negativamente quem o rodeia.

Dorian atinge o seu ponto mais baixo quando, numa noite, Basil vai a sua casa informá-lo de que se vai mudar para Paris, querendo despedir-se e procurando também saber da veracidade dos rumores acerca da sua pessoa.
Dorian não nega sua devassidão e leva Basil até ao quarto onde se encontra escondido o retrato que, entretanto, se havia tornado hediondo pela corrupção de Dorian.
Num acesso de raiva, Dorian culpa Basil pelo seu trágico destino e apunhala-o até à morte.
Para destruir o corpo, Dorian chantageia o um velho amigo – o químico Alan Campbell – que posteriormente se suicida por ter sido cúmplice de um assassinato.

Para esquecer a sua culpa, Dorian vai a um antigo antro de ópio, onde James Vane – irmão de Sybil – está presente. Ao ouvir alguém a referir-se a Dorian como ‘Príncipe Encantado’, James reconhece-o e procura vingar a morte da irmã.

No entanto, ao encarar Dorian, James fica surpreendido com sua juventude, acreditando ser impossível ser aquele jovem o mesmo que, há 18 anos, foi responsável pelo suicídio da irmã.

James liberta Dorian mas, logo de seguida, é abordado por uma mulher que afirma que Dorian frequenta já aquele lugar há vários anos, sem nunca aparentar o passar do tempo.
James percebe que foi ludibriado mas, nesse momento, Dorian já desapareceu.

Entretanto, numa noite, durante um jantar em suacasa, Dorian percebe que James o observa através de uma janela e começa, a partir desse momento, a temer pela sua vida e pela sua sanidade. Dorian resolve por isso retirar-se da cidade para o campo, onde se sentirá mais protegido.
Aí, durante uma caçada, um dos caçadores atira e acidentalmente mata um desconhecido, que Dorian reconhece como James Vane.

Ao retornar a Londres, Dorian informa Lorde Henry que decidiu ser bom a partir de então e questiona-se se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato.
No entanto, ao consultar o quadro, Dorian depara-se apenas com a pior representação de si mesmo. É neste momento que Dorian percebe que a única prova do seu mau carácter é o próprio quadro, resolvendo por isso destruí-lo. Assim, enfurecido, pega na mesma faca com que assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato.

Ouve-se um grito!
Os empregados da casa acordam ao ouvir esse grito, vindo de um quarto fechado, enquanto na rua, os transeuntes – que também ouviram o grito – chamam a polícia.
Ao entrarem no quarto, os empregados deparam-se com um velho desconhecido, esfaqueado, de rosto seco e decrépito… Identificam, no entanto, nos seus dedos, os anéis de Dorian Gray.
Ao lado do corpo, está o retrato de Dorian que, entretanto, regressou à sua beleza original.

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