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sábado, 31 de outubro de 2015

Happy Halloween

"Traçando uma linha entre o Outono e o Inverno, a abundância e escassez, a vida e a morte, o Halloween é um momento de celebração e de superstição.
Acredita-se que as origens do Halloween remontem ao antigo festival celta de Samhain. Os Celtas acreditavam que, nesta noite, a fronteira entre os mundos dos vivos e dos mortos ficava turva e, por isso, acendiam fogueiras e usavam trajes que acreditavam afastar os fantasmas.
Com o tempo, o Halloween evoluiu para um evento baseado na comunidade, caracterizado por actividades com crianças, tais como o trick-or-treating.
Em vários países espalhados pelo mundo, como os dias ficam mais curtos e as noites ficam mais frias, as pessoas continuam a inaugurar a temporada de inverno com encontros, fantasias e doces."
[Mais informação sobre o Halloween aqui...]

 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Li // A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de mais um clássico de Horror, desta vez de um conto: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving.

Este conto foi publicado primeiramente em 1820, como parte do livro The Sketch Book of Geoffrey Crayon, no qual com Irving usou o pseudónimo de Geoffrey Crayon.


Neste conto é-nos narrada a história de Ichabod Crane, um magro, esguio e extremamente supersticioso mestre-escola, muito conhecido em Sleepy Hollow.

Ichabod não tinha dinheiro nem casa própria, dividindo o seu tempo entre a escola e o alojamento temporário em casa das diversas famílias da vila, que o acolhem por solidariedade.

Sendo um mestre-escola uma pessoa vista com um certo gabarito – uma espécie de cavaleiro ocioso, como refere a obra – não seria de estranhar que os seus anfitriões caprichassem na hora de por a mesa e, sendo Ichabod Crane um bom garfo (apesar da sua magreza), nunca se fez rogado na hora de comer.

Preocupado em assegurar um futuro um pouco mais prospero, Ichabod tenta aproximar-se de Katrina Van Tassel, filha única do mais rico fazendeiro da Vila.
No entanto, a jovem tem já um pretendente – Abraham ‘Brom Bones’ Van Brunt – que, obviamente, não acha piada nenhuma a Ichabod.


Um dia, Baltus Van Tassel, pai de Katrina, resolve dar uma festa e, como seria de esperar, o mestre-escola é convidado.

Nesta festa, repleta de muita comida e boa bebida começou-se, a determinado momento e como era costume local, a contar histórias de terror, sendo a mais assustadora a de um soldado de cavalaria, cuja cabeça foi arrancada por uma bala de canhão e que, segundo reza a lenda, ainda é visto em algumas noites, cavalgando pelo vale, em busca da sua cabeça…
Ichabod, gostava muito de ouvir estas histórias embora ficasse sempre muito impressionado com elas. Por isso, aproveitando a deixa, Brom Bones afirma já ter-se cruzado, numa noite, com o dito cavaleiro, aumentando o clima de medo entre os presentes.

Quando Crane deixa a casa dos Van Tassel, já tarde no final da festa, montado num cavalo velho, começa a prestar atenção aos sons que o rodeiam: O assobio do vento, o som de animais a passar pelas folhas caídas, o som do chapinhar do regato e, ao longe… o trote de um cavalo?


E foi isto!
O que acham que aconteceu a Ichabod?
Já conheciam esta história?

Apesar de ter adquirido este livro com o intuito de ler ‘A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça’, nesta minha edição (linda, de capa dura e cheia de ilustrações!) estão ainda reunidos dois contos – ‘Rip Van Winkle’ e ‘A Lenda Do Astrólogo Árabe’ – cuja leitura também recomendo.

Espero que tenham gostado do post e não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Li // O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Esta é daquelas obras que, de uma forma ou de outra, já toda a gente tem uma ideia do conteúdo, seja pelas séries, filmes e diversas adaptações da mesma. No entanto, sabendo que a experiência é sempre diferente quando temos contacto com aquilo que realmente saiu da mão do autor, nada é melhor do que ler o livro.

O Retrato de Dorian Gray foi publicado pela primeira vez em Julho de 1890 na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine.
Os editores desta publicação, temendo que a história fosse indecente, e sem o conhecimento do autor, suprimiram cerca de quinhentas palavras antes da publicação. Apesar da censura, a obra ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos, alguns dos quais disseram que Oscar Wilde estaria a violar as leis que protegiam a moralidade pública.

Em resposta, Wilde revisou e ampliou a obra publicada, romanceou alguns elementos, lançando-a, em 1891, em forma de livro.


Sobre a Narrativa

A narrativa desenrola-se na sociedade inglesa vitoriana e conta-nos a história de Dorian Gray – um jovem invulgarmente belo, gracioso, bem-educado e de um caracter cativante – por quem Basil Hallward, um pintor londrino, fica fascinado e desenvolve um sentimento de idolatria.
Determinado a imortalizar a beleza de Dorian numa tela, Basil convence-o a posar para si.

Basil tanto falava e tanto tecia elogios a Dorian que acabou por despertar a curiosidade de Lorde Henry – um aristocrata e amigo próximo – que defende que, acima de todas as coisas, o que realmente importa na vida é o prazer e a beleza: A beleza torna aqueles que a possuem em príncipes, e só dispomos de alguns anos para aproveitar dessa beleza e da juventude sendo que, depois disso, só restarão recordações do passado.

Basil termina então o retrato de Dorian – um retrato de corpo inteiro, pintado a óleo – e a todos surpreende por parecer captar a própria alma do jovem no quadro.

Dorian Gray fica encantado com a beleza do quadro e, influenciado pelo discurso hedonista de Lord Henry, começa a lamentar-se e a sentir-se injustiçado por constatar que o quadro preservará uma eterna beleza, enquanto ele envelhecerá a cada dia, perdendo a grande beleza retratada no quadro.

Horrorizado com este inevitável destino, Dorian expressa a intenção de manter sua beleza e a sua juventude eternamente, desejando que fosse o quadro a envelhecer em seu lugar mesmo que, para isso, fosse necessário dar a sua alma em troca.

Posteriormente, e fortalecido pela influência de Lord Henry, Dorian começa a explorar a sua sensualidade, descobrindo Sibyl Vane, uma actriz de classe baixa, que atua em peças de teatro de Shakespeare.
Dorian impressiona-se tanto com Sibyl que, por várias noites consecutivas vai vê-la nas suas apresentações, sentindo-se o mais apaixonado dos homens. Encantado pelas múltiplas facetas que Sibyl revela em palco, Dorian resolve corteja-la e propô-la casamento.

Nessa noite, preocupado com a aceitação por parte dos seus amigos, Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar na peça Romeu e Julieta.

A apaixonada Sibyl não aguenta a felicidade de sentir-se amada pelo seu ‘Príncipe Encantado’ e percebe que o seu único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro. Desta forma, Sibyl resolve renunciar à sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray.
Desanimado por ela ter abandonar o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que era em actuar que residia a sua beleza… sem isso, ela perderia o seu interesse.

Ao voltar para casa Dorian pensa sobre o sucedido e percebe o quanto foi cruel com Sybil, decidido a, no dia seguinte, tentar reconciliar-se. No entanto, ao olhar para o seu retrato, Dorian apercebe-se de uma subtil alteração… um pequeno trejeito no sorriso.

Dorian compreende então que o seu ‘pedido’ foi atendido, estando a sua alma a habitar o quadro. Assim, o quadro irá não só arcar com o passar dos anos, mas também com as acções – mais ou menos nobres – desenvolvidas por Dorian.

Na manha seguinte Dorian é informado que Sibyl se suicidou com ácido e decide que, a partir daí, nada mais importará além de usufruir da sua eterna juventude, perseguindo uma vida libertina e de experiências amorais.

E será essa, uma decisão inconsequente?


E a partir daqui… contém (todos os) Spoilers!

Num momento seguinte, Lorde Henry oferece a Dorian um livro – um romance francês, de capa amarela, moralmente venenoso – que vai influenciar determinantemente Dorian.

A título de curiosidade: Nunca é, ao longo da narrativa, revelado o título do romance francês de Dorian lê mas, segundo o ‘Oscar Wilde:Art And Morality’ de Stuart Mason, Wilde terá afirmado tratar-se de À rebours, de Joris-Karl Huysmans (Traduzido em Portugal como ‘Ao Arrepio’)

Dorian esconde o seu quadro e satisfaz-se ao perceber que, a cada atrocidade cometida, é o Dorian da tela que vai envelhecendo e adquirindo feições cada vez mais maldosas enquanto ele próprio se mantém fisicamente imutável.

Segue-se então, durante vários anos, uma vida de prazeres, na qual Dorian assume uma conduta fria, interesseira, influenciando negativamente quem o rodeia.

Dorian atinge o seu ponto mais baixo quando, numa noite, Basil vai a sua casa informá-lo de que se vai mudar para Paris, querendo despedir-se e procurando também saber da veracidade dos rumores acerca da sua pessoa.
Dorian não nega sua devassidão e leva Basil até ao quarto onde se encontra escondido o retrato que, entretanto, se havia tornado hediondo pela corrupção de Dorian.
Num acesso de raiva, Dorian culpa Basil pelo seu trágico destino e apunhala-o até à morte.
Para destruir o corpo, Dorian chantageia o um velho amigo – o químico Alan Campbell – que posteriormente se suicida por ter sido cúmplice de um assassinato.

Para esquecer a sua culpa, Dorian vai a um antigo antro de ópio, onde James Vane – irmão de Sybil – está presente. Ao ouvir alguém a referir-se a Dorian como ‘Príncipe Encantado’, James reconhece-o e procura vingar a morte da irmã.

No entanto, ao encarar Dorian, James fica surpreendido com sua juventude, acreditando ser impossível ser aquele jovem o mesmo que, há 18 anos, foi responsável pelo suicídio da irmã.

James liberta Dorian mas, logo de seguida, é abordado por uma mulher que afirma que Dorian frequenta já aquele lugar há vários anos, sem nunca aparentar o passar do tempo.
James percebe que foi ludibriado mas, nesse momento, Dorian já desapareceu.

Entretanto, numa noite, durante um jantar em suacasa, Dorian percebe que James o observa através de uma janela e começa, a partir desse momento, a temer pela sua vida e pela sua sanidade. Dorian resolve por isso retirar-se da cidade para o campo, onde se sentirá mais protegido.
Aí, durante uma caçada, um dos caçadores atira e acidentalmente mata um desconhecido, que Dorian reconhece como James Vane.

Ao retornar a Londres, Dorian informa Lorde Henry que decidiu ser bom a partir de então e questiona-se se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato.
No entanto, ao consultar o quadro, Dorian depara-se apenas com a pior representação de si mesmo. É neste momento que Dorian percebe que a única prova do seu mau carácter é o próprio quadro, resolvendo por isso destruí-lo. Assim, enfurecido, pega na mesma faca com que assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato.

Ouve-se um grito!
Os empregados da casa acordam ao ouvir esse grito, vindo de um quarto fechado, enquanto na rua, os transeuntes – que também ouviram o grito – chamam a polícia.
Ao entrarem no quarto, os empregados deparam-se com um velho desconhecido, esfaqueado, de rosto seco e decrépito… Identificam, no entanto, nos seus dedos, os anéis de Dorian Gray.
Ao lado do corpo, está o retrato de Dorian que, entretanto, regressou à sua beleza original.

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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Li // A Árvore de Halloween de Ray Bradbury

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de ‘A Árvore de Halloween’ de Ray Bradbury.


A história deste livro começa na noite de 31 de Outubro – a Noite de Halloween – quando Tom Skelton e o seu grupo de amigos, devidamente fantasiados, se junta para começar a festejar o Halloween na sua caça aos doces – o famoso Trick or Treat.
Apercebem-se no entanto que Pipkin – o amigo mais querido do grupo e o mais fervoroso adepto do Halloween – não está entre eles.

Preocupados com Pipkin, os amigos dirigem-se até à sua casa e descobrem que este está um pouco adoentado. No entanto, ainda assim, e sentindo forte dores abdominais, Pipkin promete encontrar-se com os amigos, daí a pouco, junto a uma casa que eles julgam ser assombrada.

O grupo dirige-se então à tal casa e, nos fundos da propriedade, eles descobrem uma gigantesca e magnífica árvore, repleta de abóboras, de diferentes formas e tamanhos, havendo, em cada uma delas, um rosto talhado.

Entretanto – Sr. Moundshroud – o sinistro dono da casa aparece e convida o grupo para uma aventura no País Não Descoberto. Os rapazes recusam, dizendo estar ainda à espera de um amigo – Pipkin – que entretanto aparece ao longe.
Quando Pipkin se aproxima do grupo uma grande tempestade leva-o para longe e ele desaparece!


O desaparecimento do querido amigo é o ponto de partida desta aventura deliciosa, cheia de simbologia e história uma vez que, a única forma de salvar Pipkin, será acompanhando Sr. Moundshroud através dos tempos, pela história do Halloween.

Este livro vai-nos então dando uma aula a respeito desta data tão comemorada enquanto os jovens continuam a sua perseguição pelo amigo desaparecido, ao longo dos tempos. Viajam pelo Antigo Egipto, pela Grécia, pelas Gárgulas de Notre Dame e mesmo pelo mexicano Dia de Los Muertos, aprendendo as origens do Halloween e resgatando o real significado da celebração.
No final, é-nos dada uma verdadeira lição de amizade e camaradagem.


Confesso que, inicialmente, esta premissa fez-me lembrar um pouco o conceito de ‘Um Conto de Natal’ apresentando, no entanto, um único fantasma – Sr. Moundshroud – no lugar dos três fantasmas conhecidos: do Natal passado, presente e futuro.

Este livro foi editado inicialmente em 1972, com ilustrações macabras, que acompanham esta minha edição e que complementam a narrativa e o ambiente criado.

E foi isto!

Conheciam a história? Ficaram com curiosidade para ler?
Se já leram o livro, não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Li // O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de mais um clássico de terror: O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde, escrito por Robert Louis Stevenson.

Conheci esta história algures pelo meu 9º ano, quando tive que ler uma versão resumida da mesma para a aula de Inglês. Lembro de, na altura, não a ter achado nada de especial, embora o conceito de dualidade do personagem me tivesse acompanhado por muito tempo.
Por essa razão, resolvi reler a história, desta vez na sua versão completa.

 Contém Spoilers! 

Este clássico, lançado em 1886, aborda a questão do bem e do mal, numa época em que, na sociedade inglesa, ainda se debatia o caso real de um respeitado marceneiro que, de dia levava uma vida digna, cumprindo as suas responsabilidades enquanto, durante a noite roubava as casas dos moradores da cidade.

Esta dicotomia entre o bem e o mal desde cedo intrigou Stevenson, sendo este o mote que inspirou o autor. Esta obra foi, na sua época, um sucesso imediato e uma das obras mais vendidas de Stevenson, sendo considerado um excelente livro de horror e suspense.

Adaptações teatrais da obra começaram a ser encenadas em Londres um ano após seu lançamento e, até aos dias de hoje, o livro tem inspirado a realização de diversos filmes, peças e mesmo animações.

Sobre a Narrativa

A narrativa tem início com Sr. Utterson – o advogado de Dr. Jekyll – caminhando pelas ruas silenciosas de Londres, acompanhado do seu parente afastado e grande amigo, Sr. Richard Enfield.
Nesta caminhada, os amigos passam por uma porta… Uma porta sem aldraba nem sineta, rachada e com manchas de bolor. Nesse momento, Sr. Utterson recorda estranhos acontecimentos envolvendo essa mesma porta, narrando-os ao amigo.

Utterson conta então que presenciou o momento em que Mr. Hyde, um homem, de aparência detestável, andando em passo estugado, atropelou uma criança que vinha em sentido contrário, seguindo depois o seu caminho enquanto a criança ficou aos prantos na calçada.
Após perseguido e trazido ao local do acidente – onde já se tinha reunido um pequeno grupo de pessoas – o monstruoso homem, para evitar um escândalo, afirma que estaria disposto a pagar pelos prejuízos causados à família da menina.
Para garantir que o pagamento seria feito, Sr. Utterson acompanhou o estranho individuo, tendo-se este dirigido até à porta anteriormente referida. É então que Sr. Utterson fica estarrecido ao receber um cheque com fundos, assinado por Dr. Jekyll – um respeitado e admirado médico que é muito seu amigo.

O advogado fica desconfiado e confuso a propósito do último acontecimento, o que se agrava quando recebe uma notificação de Dr. Jekyll favorecendo, no seu testamento, ninguém menos que Dr. Hyde.

Neste ponto, Utterson começa a suspeitar que o seu amigo possa estar a ser vítima de chantagem por parte do abominável Mr. Hyde, uma vez que não consegue perceber de que outra forma se possam estar a relacionar estes dois homens tão diferentes.

Se por um lado Dr. Jekyll é um filantropo respeitadoe exemplo de conduta por outro, Mr. Hyde é descrito como grotesco, desagradável e de voz medonha.

Aos poucos, começa-se a perceber que o Dr. Jekyll está a comportar-se de forma cada vez mais estranha, começando a preocupar os seus empregados e amigos. Fica cada vez mais isolado no seu laboratório, recebendo frequentemente a visita do intrigante e violento Mr. Hyde.

O Sr. Utterson procura então conversar com o Dr. Jekyll sobre a decisão de deixar a sua herança para um ser tão vil, sendo-lhe respondido que a decisão está tomada, que é necessária, e que nada se tem a recear em relação a Mr. Hyde. Dr. Jekyll pede-lhe ainda que não se volte a falar desse assunto.
Desta forma, Sr.Utterson resolve não mais se intrometer.

Passado um ano, algo terrível acontece quando Sir Danvers Carew – influente cidadão londrino e cliente de Sr.Utterson – é brutalmente assassinado, com socos, pontapés e golpes de bengala, sob o olhar atento de uma jovem, que observava do alto de uma janela.
Após a descrição do crime pela testemunha, Mr. Hyde torna-se o principal suspeito, passando a ser perseguido pela polícia local.

Neste ponto, e preocupado com o que possa acontecer, Mr. Utterson, dirige-se a casa de Dr. Jekyll, para o avisar do perigo que representa Mr. Hyde. Contudo, o médico assegura-lhe que há algum tempo que não vê Mr. Hyde e que este já lhe havia deixado uma carta de despedida.

O tempo vai passando e, apesar da pequena fortuna oferecida pela cabeça de Mr. Hyde, este não é encontrado.

Essa época coincide com um Dr. Jekyll mais presente na vida dos amigos, após um longo período de ausência, voltando a organizar jantares e a participar de eventos para caridade, parecendo que tudo está a voltar ao normal.

Contudo, passado algum tempo Dr. Jekyll volta a isolar-se no seu laboratório, gerando grande preocupação nos seus amigos até que um dos seus empregados aparece em desespero na casa do Sr. Utterson e pede a sua ajuda. Ele acredita que seu patrão foi assassinado e que agora Mr. Hyde se esconde na casa.

Será?

Não vou contar mais da história uma vez que o livro é curtinho, está escrito numa linguagem bem acessível e se lê num instante.


Narrado com traços de novela policial – incluindo um crime, um grande mistério e alguém que os tenta desvendar – os capítulos encaixam-se perfeitamente, de modo que todos os elementos da narrativa se esclarecem no desenlace da história.

A atmosfera de suspense é bem trabalhada, sentindo-se o tempo todo a escuridão por trás da história.

A temática é pesada, mas o autor aborda um tema essencialmente humano: o bem e o mal que, inevitavelmente, convivem dentro de cada um de nós.

E foi isto!

Conheciam a história? Ficaram com curiosidade para ler?
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Li //Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos um bocadinho do incrível Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street.

Já tinha travado conhecimento com esta história através do filme musical adaptado por Tim Burton (que adorei, diga-se de passagem!), mas só recentemente tive a curiosidade de conhecer a história original.

Este conto – um clássico do horror britânico – foi publicado inicialmente entre Novembro de 1846 e Março de 1847 com o nome The String of Pearls (Um Colar de Pérolas) no The People's Periodical and Family Library, uma série semanal de folhetins Penny Dreadful, editados por Edward Lloyd.

A sua autoria é atribuída a James Malcolm Rymer, embora sejam também atribuídos créditos a Thomas Peckett Prest. Embora sem certezas, acredita-se que cada um tenha trabalhado diferentes partes da história.
Outras atribuições incluem Edward P. Hingston, George Macfarren, e Albert Richard Smith.

A história fez imenso sucesso sendo posteriormente  publicada em forma de livro, em 1850 , com o subtítulo The Barber of Fleet Street: A Domestic Romance. Esta versão da história contaria com 732 páginas.

Imagens do livro publicado em 1850 (podem ver mais aqui)

Nos anos posteriores, surgiram muitas versões da história, nomeadamente adaptações para o palco, versões adaptadas a outros países e, mais tarde, adaptações para o cinema. A história tornou-se uma lenda urbana, sendo várias vezes recontada desde então, em adaptações em que, muitas vezes foi drasticamente alterada a história original (e sim, a adaptação de Tim Burton encaixa-se nesta categoria).

Sobre a História

A história decorre em Londres no ano de 1785 e começa quando se começa a investigar o estranho desaparecimento de um marinheiro chamado Tenente Thornhill, aparentemente visto pela última vez quando entrava no estabelecimento de Sweeney Todd em Fleet Street.
Thornhill, segundo se sabe, procurava uma rapariga chamada Johanna Oakley, na tentativa de lhe entregar um colar de pérolas a pedido do seu amante desaparecido, Mark Ingestrie.

Um dos amigos de Thornhill – Coronel Jeffrey – é alertado para o desaparecimento de Thornhill pelo seu fiel cão – Hector  que se recusa a abandonar a porta da barbearia. Coronel Jeffrey resolve então investigar o paradeiro do seu amigo, sendo acompanhado por Johanna que, por sua vez, quer saber o que aconteceu a Mark.

No desenrolar da narrativa vamos então alternando entre a história de Todd, o sinistro barbeiro de Fleet Street que ‘despacha’ os seus clientes, a história de Tobias Ragg, o jovem assistente do barbeiro que, pelas suspeitas que tem, teme pela sua sanidade mental, bem como a história da investigação desenvolvida por Johanna Oakley e Coronel Jeffrey.

É-nos ainda apresentada a história de Mrs. Lovett, uma bem-sucedida pasteleira que ganha a vida vendendo tartes de carne assada.

Numa parte inicial da narrativa vamos, aos poucos, conhecendo os personagens, em capítulos dedicados a cada um deles e, enquanto avançamos na narrativa, vamos percebendo como estas histórias se entrelaçam.

Lembro que a história foi originalmente lançada em folhetins semanais e, por essa razão, nem sempre um capítulo corresponde necessariamente à continuação do anterior sendo-nos, por vezes, apresentadas as histórias paralelas dos outros personagens.
Imagino como seria ir lendo estas publicações e tentar perceber para onde a história nos levava.

A forma como o autor conduz a narrativa é brilhante, uma vez que as informações nos vão sendo entregues aos poucos, permitindo-nos criar teorias sobre o que terá acontecido a Thornhill e a Mark Ingestrie.


Cedo nos é dito que, o tal Colar de Pérolas está, de facto, na posse de Sweeney Todd o que, de certa forma, nos leva a depreender que ele terá assassinado Thornhill. Mas o que aconteceu a Mark Ingestrie?
Algumas informações sobre o personagem podem fazer-nos acreditar que este terá morrido num naufrágio, embora nunca se tenha encontrado o corpo do mesmo.
Começamos assim a conhecer Sweeney Todd, assistindo à forma como este procura livrar-se do Colar de Pérolas e como, no seu dia-a-dia, vai tratando dos seus clientes.

Por outro lado, na Pastelaria da Mrs. Lovett, acompanhamos um jovem que lhe pede emprego e, sem perceber muito bem como, se vê na situação de refém, preso na sala dos fornos, onde é obrigado a trabalhar em troca de alimentação.
Aí percebemos o processo de confecção das tartes e a angústia do jovem que, de repente, se recusa a comer as mesmas.

Nesta pastelaria jantava muitas vezes Tobias Ragg – o jovem assistente do barbeiro – que, por diversas razões, detesta o seu mentor e começa a suspeitar que este possa estar envolvido em alguma coisa terrível.
Estas suspeitas crescem à medida que o jovem vai encontrando objectos perdidos que os clientes esquecem na barbearia, bem como pela consciencialização que, a cada vez que entra um cliente novo, o jovem é mandado a fazer recados, nunca vendo os clientes sair.

Temos ainda um quarto foco narrativo que nos descreve a investigação em torno da Igreja de St. Dunstan, na qual um odor nauseabundo começa a surgir, sem que se perceba como.

Aos poucos, todos estes focos vão se interligando, começamos a perceber as relações entre eles e as pontas soltas vão se juntando.
Para quem nunca teve contacto com a história ou nunca ouviu nenhum spoiler o final é simplesmente surreal!


Para quem conhece algumas das adaptações (como aconteceu comigo que, como referi, conhecia já o filme musical adaptado por Tim Burton) pode inicialmente estranhar a história, isto porque, na realidade, estas adaptações fogem um pouco da história original.
A relação entre os personagens, o próprio contexto de alguns personagens (como a Mrs. Lovett, por exemplo, que no musical tem as ‘worst pies in London’ e, no original, é uma pasteleira bem sucedida), causam algum estranhamento no início mas, depois de se assumir que o livro não vai ser igual ao filme, a leitura segue!

Classifiquei o livro com 5 estrelas no Goodreads e, por isso, percebem facilmente que o adorei! Sim, é diferente do musical, mas isso não invalida que eu adore igualmente os dois!
E se eu o tivesse lido sem spoilers acredito que a experiência teria sido ainda mais incrível!

Recomendo vivamente a quem goste de uma boa história de horror.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Li // O Perfume de Patrick Süskind

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos um bocadinho do livro ‘O Perfume’ de Patrick Süskind.

Li este livro pela primeira vez algures entre o final de 2006 / início de 2007 e lembro-me de, na altura, ter gostado bastante.

Reli-o agora, motivada quer pelo Desafio Literário para 2015 – em que, em Setembro, se pedia para realizar uma releitura – quer pela produção de conteúdo para a temática do Mês do Horror.

Tenho uma história curiosa com este livro… Como vos disse, li-o há cerca de 9 anos e jurava que me lembrava razoavelmente bem da história. Acontece que depois desta releitura percebi que me recordava apenas do início e do final da trama, sendo que todo o desenrolar da história, os timings dos acontecimentos, bem como alguns momentos significativos do conteúdo, se tinham varrido completamente da minha memória. Afinal, foram 9 anos!


Bem, este livro conta então a história de Jean-Baptiste Grenouille, um Parisiense nascido no século XVIII.
Desde o seu nascimento Jean-Baptiste evidencia duas características muito particulares: Se por um lado, não possui um aroma próprio – não cheira a nada – por outro lado, tem um olfacto extremamente aguçado, refinado e preciso.

Tudo isto, assume outro valor quando, como aconteceu ao protagonista, se nasce no meio de um mercado, numa quente tarde de Verão, por trás de uma banca de peixe.

A mãe de Jean-Baptiste não era propriamente uma pessoa afectuosa e maternal e, por essa razão, o protagonista acaba por ficar aos cuidados de uma ama, contratada pelo Padre do Convento.

Ao fim de 8 anos e sem explicação prévia, o Convento deixou de pagar à ama pelos seus serviços, pelo que esta resolve deixar de cuidar de Jean-Baptiste, entregando-o a Grimal, um curtidor que aceita contratar Jean-Baptiste para os trabalhos mais sujos e pesados, na esperança que este não sobrevivesse por muito tempo.

Contudo, o menino mostra-se extremamente resistente e trabalha afincadamente, sendo neste trabalho de curtidor que Jean-Baptiste começa a explorar – olfactivamente – a cidade de Paris.

Numa das suas noites de passeio, nas comemorações do dia 1 de Setembro, Jean-Baptiste depara-se com um aroma nunca antes cheirado: o de uma jovem virgem! Jean-Baptiste segue o aroma até encontrar a moça e, desesperado, procura a todo o custo possuir o seu cheiro.

Não será spoiler referir que é neste momento que o subtítulo do livro – História de um Assassino – começa a fazer sentido.

Ao aperceber-se da efemeridade deste aroma, Grenouille decide que precisa de aprender a conservar odores, tornando-se este num dos grandes objectivos da sua jornada. Desta forma, poderá imortalizar os aromas, criando o aroma perfeito – como um perfume supremo – com a essência do que há de mais belo.

É por essa razão que Grenouille se apresenta como aprendiz a Baldini, um velho perfumista falido de Paris, com o qual pretende aprender a arte de conservar odores.
Baldini contrata o rapaz – após uma demonstração sensacional dos seus talentos – e, em pouco tempo, graças ao apurado nariz de Jean-Baptiste, Baldini consegue reerguer-se economicamente.

Após dominar todas as artes que Baldini que poderia ensinar, e ainda sem conseguir conservar os aromas pretendidos, Jean-Baptiste parte para o sul de França – para Grasse – onde pretende estudar as três técnicas de extracção de aroma que lhe faltariam aprender.

Ao chegar a Grasse, Grenouille fareja os aromas da região, identificando fábricas de sabonetes, de pomadas, lojas de especiarias, destilarias… distinguindo, no meio de todos esses ‘cheiros’, o aroma de uma jovem virgem!

Não vou revelar o final da história mas acreditem que é incrível!


A escrita de Patrick Süskind, é fenomenal!

Não fosse o título do livro ‘O Perfume’, o autor é exímio na descrição de aromas, conseguindo descrições bastante vividas que, por vezes, quase fizeram com que eu sentisse esses aromas.

Além disso, Süskind é brilhante na construção dos personagens.
Ele consegue fazer-nos sentir repulsa e, simultaneamente, como que compaixão pelo personagem principal – Jean-Baptiste Grenouille – uma vez que, não obstante todas as atrocidades por este cometidas, em nenhum momento Jean-Baptiste é premeditadamente mau. Ele apenas quer coleccionar aromas. Ou seja, apesar de sabermos que o protagonista é um assassino, não conseguimos deixar de ver nele uma certa inocência e, no fundo, torcer um bocadinho para que ele consiga o seu perfume!


E foi isto!

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