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sábado, 31 de outubro de 2015

Happy Halloween

"Traçando uma linha entre o Outono e o Inverno, a abundância e escassez, a vida e a morte, o Halloween é um momento de celebração e de superstição.
Acredita-se que as origens do Halloween remontem ao antigo festival celta de Samhain. Os Celtas acreditavam que, nesta noite, a fronteira entre os mundos dos vivos e dos mortos ficava turva e, por isso, acendiam fogueiras e usavam trajes que acreditavam afastar os fantasmas.
Com o tempo, o Halloween evoluiu para um evento baseado na comunidade, caracterizado por actividades com crianças, tais como o trick-or-treating.
Em vários países espalhados pelo mundo, como os dias ficam mais curtos e as noites ficam mais frias, as pessoas continuam a inaugurar a temporada de inverno com encontros, fantasias e doces."
[Mais informação sobre o Halloween aqui...]

 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Li // A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de mais um clássico de Horror, desta vez de um conto: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving.

Este conto foi publicado primeiramente em 1820, como parte do livro The Sketch Book of Geoffrey Crayon, no qual com Irving usou o pseudónimo de Geoffrey Crayon.


Neste conto é-nos narrada a história de Ichabod Crane, um magro, esguio e extremamente supersticioso mestre-escola, muito conhecido em Sleepy Hollow.

Ichabod não tinha dinheiro nem casa própria, dividindo o seu tempo entre a escola e o alojamento temporário em casa das diversas famílias da vila, que o acolhem por solidariedade.

Sendo um mestre-escola uma pessoa vista com um certo gabarito – uma espécie de cavaleiro ocioso, como refere a obra – não seria de estranhar que os seus anfitriões caprichassem na hora de por a mesa e, sendo Ichabod Crane um bom garfo (apesar da sua magreza), nunca se fez rogado na hora de comer.

Preocupado em assegurar um futuro um pouco mais prospero, Ichabod tenta aproximar-se de Katrina Van Tassel, filha única do mais rico fazendeiro da Vila.
No entanto, a jovem tem já um pretendente – Abraham ‘Brom Bones’ Van Brunt – que, obviamente, não acha piada nenhuma a Ichabod.


Um dia, Baltus Van Tassel, pai de Katrina, resolve dar uma festa e, como seria de esperar, o mestre-escola é convidado.

Nesta festa, repleta de muita comida e boa bebida começou-se, a determinado momento e como era costume local, a contar histórias de terror, sendo a mais assustadora a de um soldado de cavalaria, cuja cabeça foi arrancada por uma bala de canhão e que, segundo reza a lenda, ainda é visto em algumas noites, cavalgando pelo vale, em busca da sua cabeça…
Ichabod, gostava muito de ouvir estas histórias embora ficasse sempre muito impressionado com elas. Por isso, aproveitando a deixa, Brom Bones afirma já ter-se cruzado, numa noite, com o dito cavaleiro, aumentando o clima de medo entre os presentes.

Quando Crane deixa a casa dos Van Tassel, já tarde no final da festa, montado num cavalo velho, começa a prestar atenção aos sons que o rodeiam: O assobio do vento, o som de animais a passar pelas folhas caídas, o som do chapinhar do regato e, ao longe… o trote de um cavalo?


E foi isto!
O que acham que aconteceu a Ichabod?
Já conheciam esta história?

Apesar de ter adquirido este livro com o intuito de ler ‘A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça’, nesta minha edição (linda, de capa dura e cheia de ilustrações!) estão ainda reunidos dois contos – ‘Rip Van Winkle’ e ‘A Lenda Do Astrólogo Árabe’ – cuja leitura também recomendo.

Espero que tenham gostado do post e não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Li // O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Esta é daquelas obras que, de uma forma ou de outra, já toda a gente tem uma ideia do conteúdo, seja pelas séries, filmes e diversas adaptações da mesma. No entanto, sabendo que a experiência é sempre diferente quando temos contacto com aquilo que realmente saiu da mão do autor, nada é melhor do que ler o livro.

O Retrato de Dorian Gray foi publicado pela primeira vez em Julho de 1890 na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine.
Os editores desta publicação, temendo que a história fosse indecente, e sem o conhecimento do autor, suprimiram cerca de quinhentas palavras antes da publicação. Apesar da censura, a obra ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos, alguns dos quais disseram que Oscar Wilde estaria a violar as leis que protegiam a moralidade pública.

Em resposta, Wilde revisou e ampliou a obra publicada, romanceou alguns elementos, lançando-a, em 1891, em forma de livro.


Sobre a Narrativa

A narrativa desenrola-se na sociedade inglesa vitoriana e conta-nos a história de Dorian Gray – um jovem invulgarmente belo, gracioso, bem-educado e de um caracter cativante – por quem Basil Hallward, um pintor londrino, fica fascinado e desenvolve um sentimento de idolatria.
Determinado a imortalizar a beleza de Dorian numa tela, Basil convence-o a posar para si.

Basil tanto falava e tanto tecia elogios a Dorian que acabou por despertar a curiosidade de Lorde Henry – um aristocrata e amigo próximo – que defende que, acima de todas as coisas, o que realmente importa na vida é o prazer e a beleza: A beleza torna aqueles que a possuem em príncipes, e só dispomos de alguns anos para aproveitar dessa beleza e da juventude sendo que, depois disso, só restarão recordações do passado.

Basil termina então o retrato de Dorian – um retrato de corpo inteiro, pintado a óleo – e a todos surpreende por parecer captar a própria alma do jovem no quadro.

Dorian Gray fica encantado com a beleza do quadro e, influenciado pelo discurso hedonista de Lord Henry, começa a lamentar-se e a sentir-se injustiçado por constatar que o quadro preservará uma eterna beleza, enquanto ele envelhecerá a cada dia, perdendo a grande beleza retratada no quadro.

Horrorizado com este inevitável destino, Dorian expressa a intenção de manter sua beleza e a sua juventude eternamente, desejando que fosse o quadro a envelhecer em seu lugar mesmo que, para isso, fosse necessário dar a sua alma em troca.

Posteriormente, e fortalecido pela influência de Lord Henry, Dorian começa a explorar a sua sensualidade, descobrindo Sibyl Vane, uma actriz de classe baixa, que atua em peças de teatro de Shakespeare.
Dorian impressiona-se tanto com Sibyl que, por várias noites consecutivas vai vê-la nas suas apresentações, sentindo-se o mais apaixonado dos homens. Encantado pelas múltiplas facetas que Sibyl revela em palco, Dorian resolve corteja-la e propô-la casamento.

Nessa noite, preocupado com a aceitação por parte dos seus amigos, Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar na peça Romeu e Julieta.

A apaixonada Sibyl não aguenta a felicidade de sentir-se amada pelo seu ‘Príncipe Encantado’ e percebe que o seu único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro. Desta forma, Sibyl resolve renunciar à sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray.
Desanimado por ela ter abandonar o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que era em actuar que residia a sua beleza… sem isso, ela perderia o seu interesse.

Ao voltar para casa Dorian pensa sobre o sucedido e percebe o quanto foi cruel com Sybil, decidido a, no dia seguinte, tentar reconciliar-se. No entanto, ao olhar para o seu retrato, Dorian apercebe-se de uma subtil alteração… um pequeno trejeito no sorriso.

Dorian compreende então que o seu ‘pedido’ foi atendido, estando a sua alma a habitar o quadro. Assim, o quadro irá não só arcar com o passar dos anos, mas também com as acções – mais ou menos nobres – desenvolvidas por Dorian.

Na manha seguinte Dorian é informado que Sibyl se suicidou com ácido e decide que, a partir daí, nada mais importará além de usufruir da sua eterna juventude, perseguindo uma vida libertina e de experiências amorais.

E será essa, uma decisão inconsequente?


E a partir daqui… contém (todos os) Spoilers!

Num momento seguinte, Lorde Henry oferece a Dorian um livro – um romance francês, de capa amarela, moralmente venenoso – que vai influenciar determinantemente Dorian.

A título de curiosidade: Nunca é, ao longo da narrativa, revelado o título do romance francês de Dorian lê mas, segundo o ‘Oscar Wilde:Art And Morality’ de Stuart Mason, Wilde terá afirmado tratar-se de À rebours, de Joris-Karl Huysmans (Traduzido em Portugal como ‘Ao Arrepio’)

Dorian esconde o seu quadro e satisfaz-se ao perceber que, a cada atrocidade cometida, é o Dorian da tela que vai envelhecendo e adquirindo feições cada vez mais maldosas enquanto ele próprio se mantém fisicamente imutável.

Segue-se então, durante vários anos, uma vida de prazeres, na qual Dorian assume uma conduta fria, interesseira, influenciando negativamente quem o rodeia.

Dorian atinge o seu ponto mais baixo quando, numa noite, Basil vai a sua casa informá-lo de que se vai mudar para Paris, querendo despedir-se e procurando também saber da veracidade dos rumores acerca da sua pessoa.
Dorian não nega sua devassidão e leva Basil até ao quarto onde se encontra escondido o retrato que, entretanto, se havia tornado hediondo pela corrupção de Dorian.
Num acesso de raiva, Dorian culpa Basil pelo seu trágico destino e apunhala-o até à morte.
Para destruir o corpo, Dorian chantageia o um velho amigo – o químico Alan Campbell – que posteriormente se suicida por ter sido cúmplice de um assassinato.

Para esquecer a sua culpa, Dorian vai a um antigo antro de ópio, onde James Vane – irmão de Sybil – está presente. Ao ouvir alguém a referir-se a Dorian como ‘Príncipe Encantado’, James reconhece-o e procura vingar a morte da irmã.

No entanto, ao encarar Dorian, James fica surpreendido com sua juventude, acreditando ser impossível ser aquele jovem o mesmo que, há 18 anos, foi responsável pelo suicídio da irmã.

James liberta Dorian mas, logo de seguida, é abordado por uma mulher que afirma que Dorian frequenta já aquele lugar há vários anos, sem nunca aparentar o passar do tempo.
James percebe que foi ludibriado mas, nesse momento, Dorian já desapareceu.

Entretanto, numa noite, durante um jantar em suacasa, Dorian percebe que James o observa através de uma janela e começa, a partir desse momento, a temer pela sua vida e pela sua sanidade. Dorian resolve por isso retirar-se da cidade para o campo, onde se sentirá mais protegido.
Aí, durante uma caçada, um dos caçadores atira e acidentalmente mata um desconhecido, que Dorian reconhece como James Vane.

Ao retornar a Londres, Dorian informa Lorde Henry que decidiu ser bom a partir de então e questiona-se se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato.
No entanto, ao consultar o quadro, Dorian depara-se apenas com a pior representação de si mesmo. É neste momento que Dorian percebe que a única prova do seu mau carácter é o próprio quadro, resolvendo por isso destruí-lo. Assim, enfurecido, pega na mesma faca com que assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato.

Ouve-se um grito!
Os empregados da casa acordam ao ouvir esse grito, vindo de um quarto fechado, enquanto na rua, os transeuntes – que também ouviram o grito – chamam a polícia.
Ao entrarem no quarto, os empregados deparam-se com um velho desconhecido, esfaqueado, de rosto seco e decrépito… Identificam, no entanto, nos seus dedos, os anéis de Dorian Gray.
Ao lado do corpo, está o retrato de Dorian que, entretanto, regressou à sua beleza original.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

6 à 6ª #2 // 6 Livros para ler no Halloween

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje trago-vos mais um 6 à 6ª, desta vez de 6 livros para ler no Halloween!
Terror, horror, susto e medo são sempre bem-vindos e nada melhor do que combinar o espírito da época, com o espírito das leituras.

Tentei trazer-vos uma lista de livros diversificada, com estilos diferentes, para vos permitir escolherem o que mais vos interessar.

A apresentação de cada livro será bastante breve uma vez que, até ao final deste mês, todos terão resenha no blog.


Vamos lá?

 O Retrato de Dorian Grey

Este livro conta a história de Dorian Gray, um jovem invulgarmente belo e gracioso que é retratado em tela pelo seu amigo pintor Basil Hallward.
Numa dessas sessões, o jovem conhece Lorde Henry Wotton, um aristocrata cínico e hedonista, que o desperta para a beleza e o seduz para a sua visão do mundo, onde as únicas coisas que valem a pena perseguir são a beleza e o prazer.
Perante a beleza do retrato pintado, Dorian lamenta o destino inevitável que o fará envelhecer e perder a sua beleza, desejando que pudesse, em vez de si, ser o quadro a envelhecer.
De alguma forma, Dorian percebe que o seu pedido foi atendido, começando assim a usufruir da sua eterna juventude, perseguindo uma vida libertina e de experiências amorais.
Contudo, como em todas as escolhas, existe sempre um preço a pagar…

A Lenda do Cavaleiro Sem cabeça

Neste conto é-nos narrada a história de Ichabod Crane, um pedagogo que gostava muito de ouvir histórias de terror embora, simultaneamente, ficasse muito impressionado com elas.
O pedagogo começa, a certo momento, a reparar numa linda jovem –  Katrina Van Tassel – proveniente de uma das melhores famílias da cidade.
No entanto, a jovem tem já um pretendente - Brom Bones.
Um dia, o pai de Katrina dá uma festa, e Crane é convidado. Nesta festa, como era costume local, começaram a contar-se histórias de terror sendo a mais assustadora a de um soldado de cavalaria, cuja cabeça foi arrancada por uma bala de canhão e que, segundo reza a lenda, ainda é visto em algumas noites, cavalgando pelo vale, em busca da sua cabeça…

Nesta minha edição estão ainda reunidos dois contos ‘ Rip Van Winkle’ e ‘A Lenda Do Astrólogo Árabe’ cuja leitura também recomendo.

 A Árvore de Halloween

Neste livro acompanhamos a história de Tom Skelton e dos seus amigos enquanto tentam encontrar Pipkin – um amigo do grupo que, por alguma razão, faltou às festividades da Noite de Halloween.
Para encontrarem o seu amigo, eles são guiados através dos tempos por Mr. Moundshroud, uma estranha figura que lhes vai mostrar as origens do Halloween e resgatar o real significado da celebração.
Livro já resenhado no blog, neste post.

 Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street

Este livro conta a história do estranho desaparecimento de um marinheiro chamado Tenente Thornhill, aparentemente visto pela última vez quando entrava no estabelecimento de Sweeney Todd em Fleet Street.
Thornhill, por sua vez, procurava uma rapariga chamada Johanna Oakley, na tentativa de lhe entregar um colar de pérolas a pedido do seu amante desaparecido, Mark Ingestrie.
Um dos amigos de Thornhill – Coronel Jeffrey resolve então investigar o paradeiro do amigo desaparecido, sendo acompanhado por Johanna que, por sua vez, quer saber o que aconteceu a Mark.
É assim, ao longo desta investigação, que vamos conhecendo Todd, o sinistro barbeiro de Fleet Street, cujos clientes desaparecem misteriosamente….
Este livro já foi resenhado no blog, neste post.

 Antologia de Contos e Poemas de Edgar Allan Poe

Mês do Horror, não é Mês do Horror sem Poe.
Deixo por isso uma sugestão de leitura, embora possam optar por qualquer outro dos seus livros.
Nesta edição – comemorativa dos 200 anos do nascimento de Edgar Allan Poe – estão reunidos alguns dos seus melhores contos e poemas (A queda da casa de Usher, O barril de Amontillado, O Gato Preto, O Corvo), bem como um estudo crítico de D. H. Lawrence que os antecede. Esta edição inclui ainda, pela autoria de Baudelaire, um breve texto sobre a vida e obra de Poe.
Confesso que, mesmo já tendo um livro com Todos os Contos de Edgar Allan Poe, esta edição interessou-me pelos textos auxiliares – de D. H. Lawrence e Baudelaire – e por incluir o poema ‘O Corvo’, traduzido por Fernando Pessoa e ilustrado pelo prodigioso Gustave Doré.

 O Perfume de Patrick Süskind

Este livro conta a história de Jean-Baptiste Grenouille, um perfumista parisiense, possuidor de características muito particulares: Se por um lado, não possui um aroma próprio – não cheira a nada – por outro lado, tem um olfacto extremamente aguçado, refinado e preciso.
Na sua juventude Grenouille depara-se com um aroma inebriante, nunca antes cheirado e,
ao aperceber-se da efemeridade deste aroma, Grenouille decide que precisa de aprender a conservar odores, tornando-se este num dos grandes objectivos da sua jornada: imortalizar os aromas, criando o aroma perfeito – como um perfume supremo – com a essência do que há de mais belo.
Nada disto seria nocivo se o perfume em causa não fosse o aroma de uma jovem virgem…
Livro já resenhado no blog, neste post.

E pronto! 
Foram estas as sugestões de 6 livros que podem ler nesta época de Halloween!
Gostaram das sugestões? Que livro vos chamou mais a atenção?
Que livros recomendam?
E que tópicos gostariam de ver abordados no próximo '6 à 6ª'?

Espero que tenham gostado do post e não se esqueçam de deixar o vosso comentário.
Um grande Beijinho e até à próxima!


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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Li // A Árvore de Halloween de Ray Bradbury

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de ‘A Árvore de Halloween’ de Ray Bradbury.


A história deste livro começa na noite de 31 de Outubro – a Noite de Halloween – quando Tom Skelton e o seu grupo de amigos, devidamente fantasiados, se junta para começar a festejar o Halloween na sua caça aos doces – o famoso Trick or Treat.
Apercebem-se no entanto que Pipkin – o amigo mais querido do grupo e o mais fervoroso adepto do Halloween – não está entre eles.

Preocupados com Pipkin, os amigos dirigem-se até à sua casa e descobrem que este está um pouco adoentado. No entanto, ainda assim, e sentindo forte dores abdominais, Pipkin promete encontrar-se com os amigos, daí a pouco, junto a uma casa que eles julgam ser assombrada.

O grupo dirige-se então à tal casa e, nos fundos da propriedade, eles descobrem uma gigantesca e magnífica árvore, repleta de abóboras, de diferentes formas e tamanhos, havendo, em cada uma delas, um rosto talhado.

Entretanto – Sr. Moundshroud – o sinistro dono da casa aparece e convida o grupo para uma aventura no País Não Descoberto. Os rapazes recusam, dizendo estar ainda à espera de um amigo – Pipkin – que entretanto aparece ao longe.
Quando Pipkin se aproxima do grupo uma grande tempestade leva-o para longe e ele desaparece!


O desaparecimento do querido amigo é o ponto de partida desta aventura deliciosa, cheia de simbologia e história uma vez que, a única forma de salvar Pipkin, será acompanhando Sr. Moundshroud através dos tempos, pela história do Halloween.

Este livro vai-nos então dando uma aula a respeito desta data tão comemorada enquanto os jovens continuam a sua perseguição pelo amigo desaparecido, ao longo dos tempos. Viajam pelo Antigo Egipto, pela Grécia, pelas Gárgulas de Notre Dame e mesmo pelo mexicano Dia de Los Muertos, aprendendo as origens do Halloween e resgatando o real significado da celebração.
No final, é-nos dada uma verdadeira lição de amizade e camaradagem.


Confesso que, inicialmente, esta premissa fez-me lembrar um pouco o conceito de ‘Um Conto de Natal’ apresentando, no entanto, um único fantasma – Sr. Moundshroud – no lugar dos três fantasmas conhecidos: do Natal passado, presente e futuro.

Este livro foi editado inicialmente em 1972, com ilustrações macabras, que acompanham esta minha edição e que complementam a narrativa e o ambiente criado.

E foi isto!

Conheciam a história? Ficaram com curiosidade para ler?
Se já leram o livro, não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Micro-Conto // Mês do Horror

E enquanto avançavam pelos longos corredores do Hotel, ela perguntou-lhe:
 Acreditas em fantasmas?
 Eu? – Respondeu ele, com um leve calafrio – Eu não!
 Eu também não… Vivo aqui há mais de 500 anos, e nunca vi nenhum!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Li // O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de mais um clássico de terror: O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde, escrito por Robert Louis Stevenson.

Conheci esta história algures pelo meu 9º ano, quando tive que ler uma versão resumida da mesma para a aula de Inglês. Lembro de, na altura, não a ter achado nada de especial, embora o conceito de dualidade do personagem me tivesse acompanhado por muito tempo.
Por essa razão, resolvi reler a história, desta vez na sua versão completa.

 Contém Spoilers! 

Este clássico, lançado em 1886, aborda a questão do bem e do mal, numa época em que, na sociedade inglesa, ainda se debatia o caso real de um respeitado marceneiro que, de dia levava uma vida digna, cumprindo as suas responsabilidades enquanto, durante a noite roubava as casas dos moradores da cidade.

Esta dicotomia entre o bem e o mal desde cedo intrigou Stevenson, sendo este o mote que inspirou o autor. Esta obra foi, na sua época, um sucesso imediato e uma das obras mais vendidas de Stevenson, sendo considerado um excelente livro de horror e suspense.

Adaptações teatrais da obra começaram a ser encenadas em Londres um ano após seu lançamento e, até aos dias de hoje, o livro tem inspirado a realização de diversos filmes, peças e mesmo animações.

Sobre a Narrativa

A narrativa tem início com Sr. Utterson – o advogado de Dr. Jekyll – caminhando pelas ruas silenciosas de Londres, acompanhado do seu parente afastado e grande amigo, Sr. Richard Enfield.
Nesta caminhada, os amigos passam por uma porta… Uma porta sem aldraba nem sineta, rachada e com manchas de bolor. Nesse momento, Sr. Utterson recorda estranhos acontecimentos envolvendo essa mesma porta, narrando-os ao amigo.

Utterson conta então que presenciou o momento em que Mr. Hyde, um homem, de aparência detestável, andando em passo estugado, atropelou uma criança que vinha em sentido contrário, seguindo depois o seu caminho enquanto a criança ficou aos prantos na calçada.
Após perseguido e trazido ao local do acidente – onde já se tinha reunido um pequeno grupo de pessoas – o monstruoso homem, para evitar um escândalo, afirma que estaria disposto a pagar pelos prejuízos causados à família da menina.
Para garantir que o pagamento seria feito, Sr. Utterson acompanhou o estranho individuo, tendo-se este dirigido até à porta anteriormente referida. É então que Sr. Utterson fica estarrecido ao receber um cheque com fundos, assinado por Dr. Jekyll – um respeitado e admirado médico que é muito seu amigo.

O advogado fica desconfiado e confuso a propósito do último acontecimento, o que se agrava quando recebe uma notificação de Dr. Jekyll favorecendo, no seu testamento, ninguém menos que Dr. Hyde.

Neste ponto, Utterson começa a suspeitar que o seu amigo possa estar a ser vítima de chantagem por parte do abominável Mr. Hyde, uma vez que não consegue perceber de que outra forma se possam estar a relacionar estes dois homens tão diferentes.

Se por um lado Dr. Jekyll é um filantropo respeitadoe exemplo de conduta por outro, Mr. Hyde é descrito como grotesco, desagradável e de voz medonha.

Aos poucos, começa-se a perceber que o Dr. Jekyll está a comportar-se de forma cada vez mais estranha, começando a preocupar os seus empregados e amigos. Fica cada vez mais isolado no seu laboratório, recebendo frequentemente a visita do intrigante e violento Mr. Hyde.

O Sr. Utterson procura então conversar com o Dr. Jekyll sobre a decisão de deixar a sua herança para um ser tão vil, sendo-lhe respondido que a decisão está tomada, que é necessária, e que nada se tem a recear em relação a Mr. Hyde. Dr. Jekyll pede-lhe ainda que não se volte a falar desse assunto.
Desta forma, Sr.Utterson resolve não mais se intrometer.

Passado um ano, algo terrível acontece quando Sir Danvers Carew – influente cidadão londrino e cliente de Sr.Utterson – é brutalmente assassinado, com socos, pontapés e golpes de bengala, sob o olhar atento de uma jovem, que observava do alto de uma janela.
Após a descrição do crime pela testemunha, Mr. Hyde torna-se o principal suspeito, passando a ser perseguido pela polícia local.

Neste ponto, e preocupado com o que possa acontecer, Mr. Utterson, dirige-se a casa de Dr. Jekyll, para o avisar do perigo que representa Mr. Hyde. Contudo, o médico assegura-lhe que há algum tempo que não vê Mr. Hyde e que este já lhe havia deixado uma carta de despedida.

O tempo vai passando e, apesar da pequena fortuna oferecida pela cabeça de Mr. Hyde, este não é encontrado.

Essa época coincide com um Dr. Jekyll mais presente na vida dos amigos, após um longo período de ausência, voltando a organizar jantares e a participar de eventos para caridade, parecendo que tudo está a voltar ao normal.

Contudo, passado algum tempo Dr. Jekyll volta a isolar-se no seu laboratório, gerando grande preocupação nos seus amigos até que um dos seus empregados aparece em desespero na casa do Sr. Utterson e pede a sua ajuda. Ele acredita que seu patrão foi assassinado e que agora Mr. Hyde se esconde na casa.

Será?

Não vou contar mais da história uma vez que o livro é curtinho, está escrito numa linguagem bem acessível e se lê num instante.


Narrado com traços de novela policial – incluindo um crime, um grande mistério e alguém que os tenta desvendar – os capítulos encaixam-se perfeitamente, de modo que todos os elementos da narrativa se esclarecem no desenlace da história.

A atmosfera de suspense é bem trabalhada, sentindo-se o tempo todo a escuridão por trás da história.

A temática é pesada, mas o autor aborda um tema essencialmente humano: o bem e o mal que, inevitavelmente, convivem dentro de cada um de nós.

E foi isto!

Conheciam a história? Ficaram com curiosidade para ler?
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Onde adquirir 'Dr. Jekyll e Mr. Hyde'?  Ver aqui ou aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Li //Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos um bocadinho do incrível Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street.

Já tinha travado conhecimento com esta história através do filme musical adaptado por Tim Burton (que adorei, diga-se de passagem!), mas só recentemente tive a curiosidade de conhecer a história original.

Este conto – um clássico do horror britânico – foi publicado inicialmente entre Novembro de 1846 e Março de 1847 com o nome The String of Pearls (Um Colar de Pérolas) no The People's Periodical and Family Library, uma série semanal de folhetins Penny Dreadful, editados por Edward Lloyd.

A sua autoria é atribuída a James Malcolm Rymer, embora sejam também atribuídos créditos a Thomas Peckett Prest. Embora sem certezas, acredita-se que cada um tenha trabalhado diferentes partes da história.
Outras atribuições incluem Edward P. Hingston, George Macfarren, e Albert Richard Smith.

A história fez imenso sucesso sendo posteriormente  publicada em forma de livro, em 1850 , com o subtítulo The Barber of Fleet Street: A Domestic Romance. Esta versão da história contaria com 732 páginas.

Imagens do livro publicado em 1850 (podem ver mais aqui)

Nos anos posteriores, surgiram muitas versões da história, nomeadamente adaptações para o palco, versões adaptadas a outros países e, mais tarde, adaptações para o cinema. A história tornou-se uma lenda urbana, sendo várias vezes recontada desde então, em adaptações em que, muitas vezes foi drasticamente alterada a história original (e sim, a adaptação de Tim Burton encaixa-se nesta categoria).

Sobre a História

A história decorre em Londres no ano de 1785 e começa quando se começa a investigar o estranho desaparecimento de um marinheiro chamado Tenente Thornhill, aparentemente visto pela última vez quando entrava no estabelecimento de Sweeney Todd em Fleet Street.
Thornhill, segundo se sabe, procurava uma rapariga chamada Johanna Oakley, na tentativa de lhe entregar um colar de pérolas a pedido do seu amante desaparecido, Mark Ingestrie.

Um dos amigos de Thornhill – Coronel Jeffrey – é alertado para o desaparecimento de Thornhill pelo seu fiel cão – Hector  que se recusa a abandonar a porta da barbearia. Coronel Jeffrey resolve então investigar o paradeiro do seu amigo, sendo acompanhado por Johanna que, por sua vez, quer saber o que aconteceu a Mark.

No desenrolar da narrativa vamos então alternando entre a história de Todd, o sinistro barbeiro de Fleet Street que ‘despacha’ os seus clientes, a história de Tobias Ragg, o jovem assistente do barbeiro que, pelas suspeitas que tem, teme pela sua sanidade mental, bem como a história da investigação desenvolvida por Johanna Oakley e Coronel Jeffrey.

É-nos ainda apresentada a história de Mrs. Lovett, uma bem-sucedida pasteleira que ganha a vida vendendo tartes de carne assada.

Numa parte inicial da narrativa vamos, aos poucos, conhecendo os personagens, em capítulos dedicados a cada um deles e, enquanto avançamos na narrativa, vamos percebendo como estas histórias se entrelaçam.

Lembro que a história foi originalmente lançada em folhetins semanais e, por essa razão, nem sempre um capítulo corresponde necessariamente à continuação do anterior sendo-nos, por vezes, apresentadas as histórias paralelas dos outros personagens.
Imagino como seria ir lendo estas publicações e tentar perceber para onde a história nos levava.

A forma como o autor conduz a narrativa é brilhante, uma vez que as informações nos vão sendo entregues aos poucos, permitindo-nos criar teorias sobre o que terá acontecido a Thornhill e a Mark Ingestrie.


Cedo nos é dito que, o tal Colar de Pérolas está, de facto, na posse de Sweeney Todd o que, de certa forma, nos leva a depreender que ele terá assassinado Thornhill. Mas o que aconteceu a Mark Ingestrie?
Algumas informações sobre o personagem podem fazer-nos acreditar que este terá morrido num naufrágio, embora nunca se tenha encontrado o corpo do mesmo.
Começamos assim a conhecer Sweeney Todd, assistindo à forma como este procura livrar-se do Colar de Pérolas e como, no seu dia-a-dia, vai tratando dos seus clientes.

Por outro lado, na Pastelaria da Mrs. Lovett, acompanhamos um jovem que lhe pede emprego e, sem perceber muito bem como, se vê na situação de refém, preso na sala dos fornos, onde é obrigado a trabalhar em troca de alimentação.
Aí percebemos o processo de confecção das tartes e a angústia do jovem que, de repente, se recusa a comer as mesmas.

Nesta pastelaria jantava muitas vezes Tobias Ragg – o jovem assistente do barbeiro – que, por diversas razões, detesta o seu mentor e começa a suspeitar que este possa estar envolvido em alguma coisa terrível.
Estas suspeitas crescem à medida que o jovem vai encontrando objectos perdidos que os clientes esquecem na barbearia, bem como pela consciencialização que, a cada vez que entra um cliente novo, o jovem é mandado a fazer recados, nunca vendo os clientes sair.

Temos ainda um quarto foco narrativo que nos descreve a investigação em torno da Igreja de St. Dunstan, na qual um odor nauseabundo começa a surgir, sem que se perceba como.

Aos poucos, todos estes focos vão se interligando, começamos a perceber as relações entre eles e as pontas soltas vão se juntando.
Para quem nunca teve contacto com a história ou nunca ouviu nenhum spoiler o final é simplesmente surreal!


Para quem conhece algumas das adaptações (como aconteceu comigo que, como referi, conhecia já o filme musical adaptado por Tim Burton) pode inicialmente estranhar a história, isto porque, na realidade, estas adaptações fogem um pouco da história original.
A relação entre os personagens, o próprio contexto de alguns personagens (como a Mrs. Lovett, por exemplo, que no musical tem as ‘worst pies in London’ e, no original, é uma pasteleira bem sucedida), causam algum estranhamento no início mas, depois de se assumir que o livro não vai ser igual ao filme, a leitura segue!

Classifiquei o livro com 5 estrelas no Goodreads e, por isso, percebem facilmente que o adorei! Sim, é diferente do musical, mas isso não invalida que eu adore igualmente os dois!
E se eu o tivesse lido sem spoilers acredito que a experiência teria sido ainda mais incrível!

Recomendo vivamente a quem goste de uma boa história de horror.

Se já leram o livro, não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!


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