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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Li // Quando a Neve Cai de John green, Maureen Johnson e Lauren Myracle

Publicado originalmente a 24 de Dezembro de 2014
Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Chega Dezembro e com ele chegam as leituras temáticas, voltadas para o Inverno, final de ano e, como não poderia deixar de ser, para o Natal.
Trago-vos hoje, por isso, uma sugestão de leitura que combina bem com a época: Quando a Neve Cai, um livro que engloba três contos, escritos por 3 diferentes autores.

Todos os contos se passam na Véspera de Natal, quando uma forte e inesperada tempestade de neve isola uma pequena cidade. O que começa como um grande imprevisto, com potencial para estragar a véspera de Natal a toda a gente, acaba por se tornar o factor desencadeador de uma série de aventuras.

Um aspecto interessante no livro é que os contos se interligam, dando a ideia de continuidade entre os mesmos.
As personagens principais de um conto entram como personagens secundárias dos outros, interagindo em algum momento da história.

O livro é editado pela TopSeller e tem uma capa lindíssima (na minha opinião, claro!) que, de alguma forma, nos remete um pouquinho para a história (principalmente para o primeiro conto).


Vamos falar dos contos?

O Expresso Jubilee (Maureen Johnson)
Neste conto é narrada a história de Jubilee, uma rapariga de Richmond que, na véspera de Natal, se vê forçada a ir passar o Natal com os avós, que moram na Flórida.
Para isso, Jubilee terá que fazer uma longa viagem de comboio, sozinha, quando, na verdade, o que ela queria era passar a data com o namorado (que até então ela julgava perfeito).
É então que começa uma tempestade de neve e o comboio de Jubilee fica preso no nevão, sem possibilidade de prosseguir viagem. 
O comboio está próximo da cidadezinha de Gracetown e, para não morrer de tédio no comboio, Jubilee resolve procurar abrigo numa Waffle House.
Na Waffle House ela conhece alguns dos habitantes de Gracetown – também retidos pela neve – entre eles, Stuart, um rapaz que recentemente havia enfrentado uma desilusão amorosa.

Um Milagre de Natal Fantabulástico (John green)
Aqui é-nos contada a história de Tobin, JP e Duke que, em plena véspera de Natal se vêm sozinhos em casa com pouco mais do que uma maratona de filmes do James Bond para se entreterem.
Entretanto, Tobin recebe uma chamada de Keun – funcionário da Waffle House (sim, a mesma Waffle House) – avisando que um grupo de cheerleaders acaba de entrar para se abrigar do nevão.
Os três amigos são então convocados para levar o jogo Twister como forma de distrair as cheerleaders, mas há um senão: alguns 'rivais' também foram convidados e, só quem chegar primeiro poderá entrar. Para Tobin e JP esta torna-se a verdadeira missão da noite de natal: Chegar à Waffle House – e Duke, apesar de ser uma rapariga (o nome engana e no conto vão perceber porquê), junta-se aos amigos nesta loucura.
Sim, porque sair de carro no meio de uma tempestade de neve… Só pode ser uma loucura!

O Santo Patrono dos Porcos (Lauren Myracle)
Neste conto é-nos narrada a história de Addie, um adolescente egocêntrica e dramática que, por determinado motivo, traiu o namorado e tenta desesperadamente reconquista-lo.
Ao longo do conto, Addie percebe que tem que mudar a sua postura e provar a si mesma (e aos outros) que consegue pensar em algo mais do que nela mesma.
Assim, Addie assume a missão de ir buscar o presente de Natal de uma de suas melhores amigas: um porquinho! Num dia de neve, trabalho e muitos desencontros, essa tarefa pode revelar-se mais difícil do que parece à primeira vista.

De uma forma geral posso afirmar que é um livro leve, bom para um domingo à tarde de preguiça no sofá, uma vez que a escrita é fluida e se lê rápido.
As histórias não têm uma profundidade por aí além, não é um livro que nos faça pensar muito e, por isso, recomendá-lo-ia a quem buscasse uma leitura fácil, de entretenimento.

De entre os três contos, não tenho um preferido, embora possa afirmar que o que menos gostei foi do terceiro conto – O Santo Patrono dos Porcos.
O conto tem uma mensagem bonita – não devemos exigir demasiado das pessoas que amamos e, se elas não demonstram o amor da forma que queremos,  isso não significa que não nos amem – mas,  talvez pela personagem ser tão egocêntrica e tão mimada, não me consegui afeiçoar a ela. A sua busca interior e a sua mudança decorrem ao longo de um único dia (sim, um dia!) pelo que me parece um pouco forçada a história da redenção súbita e do milagre Natalino.
Essencialmente, o que me fez continuar a ler este terceiro conto foi o revelar das ligações entre os personagens – incluindo os de contos anteriores – uma vez que Jeb, o namorado traído, aparece e desperta a curiosidade sobre si logo no conto inicial.

E foi isto!
Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Li // Alice No País das Maravilhas (Lewis Carroll)

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de um livro cuja história, certamente já todos conhecemos ou ouvimos falar: Alice No País das Maravilhas.

Conheci a história, talvez como a maioria da minha geração, através da longa-metragem adaptada pela Disney em 1951. Adorava essa animação!
Mais recentemente, em 2010, recordei a história através da adaptação dirigida por Tim Burton.

Mais tempo se passou e só este ano li a história original… A que deu origem a todas estas adaptações!


O Livro

Alice's Adventures in Wonderland (Alice No País das Maravilhas) foi escrito por Lewis Carroll (pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson). 
Sendo publicado a 4 de Julho de 1865 em Londres, é, actualmente, considerada uma obra clássica da literatura inglesa e uma das mais célebres do género literário nonsense.

O livro conta a história de Alice, uma menina curiosa que, ao seguir um coelhinho branco, cai na sua toca e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas.

Alice vai explorando esse País das Maravilhas, tomando conhecimento dos indivíduos que lá habitam: Bill, um Lagarto faz-tudo que vive a receber ordens, uma Lagarta azul que passa os dias a fumar um cachimbo de água, o eterno chá na casa da Lebre de Março, acompanhada do Chapeleiro Maluco e do Arganaz dorminhoco, o inesquecível Gato Cheshire e, claro, a Rainha de Copas, injusta e cruel, sempre disposta a mandar cortar a cabeça de qualquer um e por qualquer motivo.

Considerada uma história nonsense, ou seja, totalmente sem sentido, estes diferentes personagens e diferentes núcleos, são-nos apresentados de forma completamente fantasiosa e repleta de situações invulgares e esquisitas, remetendo-nos para a lógica do absurdo muito característica dos sonhos.

Dividido em 12 capítulos, a história é curta e fluída, narrada numa escrita simples repleta de metáforas. Além disso, o livro está repleto de alusões satíricas dirigidas ao circulo de amigos (e outros não tão amigos) do autor, bem como de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e ainda de trocadilhos e referências linguísticas.

Este livro possui uma continuação – Alice do Outro Lado do Espelho – sendo que, actualmente, as duas histórias são muitas vezes editadas um livro só.

Esta edição vem com as ilustrações originais, de John Tenniel (muito conhecido pelas ilustrações das Fábulas de Esopo) que dão um toque de magia à história.


A minha opinião

Então… como expor a minha opinião sem ser completamente achincalhada pelos fãs da história?
A verdade é que me desiludi! Talvez por ter ido com muita sede ao pote – demasiada expectativa – acabei por me desiludir.

Como vos disse, adorei a adaptação da Disney e criei, no meu imaginário, uma Alice curiosa, divertida que, apesar de cair num cenário completamente sem sentido, alinha na situação e vai seguindo o seu rumo.

Já no livro, achei a Alice uma personagem extremamente... chatinha! Racionaliza muito o que se passa à volta dela o que, para mim, não faz sentido nenhum! 
Vamos lá explicar-nos… que criança é que, estando num País das Maravilhas, repleto de fantasia e situações inusitadas, se põe a racionalizar sobre o que tem lógica e o que é absurdo? É uma criança, e esta Alice, não pensa como uma criança, .
Enfim… Quebrou-se o meu mito da Alice!

Além disso, quanto às mensagens subliminares que ‘só adultos irão entender’, mais uma vez, vi-os sim… mas na adaptação da Disney! (E não... não sou das que acha que Alice é uma alucinada viagem ao mundo das drogas... Nada disso!).
Isto talvez aconteça por eu não ser uma Inglesa do Séc. XIX e, muitas das referências do livro (a costumes, características, rimas e piadas) me terem passado ao lado.
Talvez um dia, quando estudar mais sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, possa entender melhor a história e apreciá-la melhor.
Até lá, fica-se a aguardar por uma edição comentada... talvez isso me ajudasse!

Sei de imensa gente que faz colecção dos livros em diferentes edições – algumas delas lindíssimas – e tenho realmente pena de não ter gostado tanto assim ao ponto de querer investir numa edição mais caprichada… Gostava de ser daquelas pessoas que tem um livro do qual gosta tanto, mas tanto, que colecciona edições.


E foi isto!
Agora contem-me, já tinham lido este livro? O que acharam?

Espero que tenham gostado do post!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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Onde adquirir o livro?  
♥ Alice no País das Maravilhas: aqui | ♥ Alice do Outro Lado do Espelho: aqui | ♥ Edição conjunta: aqui | ♥ Edição Comemorativa - Especial para Crianças: aqui.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sexta-feira 13

Num dia em que os gatos pretos continuam a ser vítimas de superstição, apresento-vos o Draco. O meu gatinho preto, adoptado da rua e que, até hoje, só me trouxe sorte!



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Li // Os Mutilados de Hermann Ungar (e um pouco sobre a E- Primatur)

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho, finalmente, falar-vos do incrível Os Mutilados de Hermann Ungar.

A minha história com este livro é interessante uma vez que o comprei simplesmente por ter gostado do conceito da editora que o publicou – a E-Primatur. Por isso, antes de vos falar do livro propriamente dito, quero contar-vos um pouco mais sobre isso.

Sobre a E- Primatur

Conheci esta editora através de uma publicação partilhada no Facebook e logo fiquei seduzida pelo conceito da mesma.

A E-Primatur parte de uma ideia base que consiste em dar voz aos leitores, percebendo o que é que o público realmente quer ler.
Esta voz é-nos dada através de um processo de crowdpublishing, isto é, só serão editados livros cuja produção seja viabilizada pelo público.

Eu explico melhor:
As propostas de livros a editar são apresentadas, com seis meses de antecedência, na plataforma da editora (aqui) e é estipulado o valor necessário para tornar a edição do livro em realidade.

Nessa fase, quem se interessar pelo livro e quiser viabilizar a edição do mesmo, poderá fazer uma doação de um valor previamente definido e corresponde a cerca de 2/3 do preço de capa que o livro terá quando estiver nas livrarias.
Quando o valor necessário para a edição tiver sido atingido, todos os leitores que tiverem feito a doação e tenham, dessa forma, ajudado o livro a tornar-se realidade, receberão um exemplar em casa, sem qualquer custo adicional. 

Caso o valor necessário para a produção do livro não seja atingido, poder-se-á dar um de dois casos:
1) O dinheiro é devolvido aos apoiantes;
2) O Projecto E-Primatur cobre a verba em falta, tornando o livro uma realidade.

Desta forma, o crowdpublishing assumir-se-á também como uma forma de sondagem do mercado… Uma forma de perceber o que é que as pessoas realmente querem ler.

Numa primeira fase, será a própria editora a seleccionar os títulos a projecto, centrando-se principalmente na edição clássicos modernos – nacionais ou estrangeiros – inéditos ou há muito esgotados. Isto é, obras essenciais que estão indisponíveis no nosso mercado e, que de alguma forma, marcaram a literatura.

A partir do segundo ano, pretende-se que leitores, colaboradores, críticos, jornalistas, livreiros e todos aqueles que gostam de livros e da leitura façam as suas sugestões de títulos a editar.


Assim que um livro esteja impresso, entra no circuito comercial de distribuição nas livrarias.

Iniciando a sua actividade com a publicação de títulos inéditos em Portugal como Voss de Patrick White (um Prémio Nobel há muito esquecido pelas editoras) ou como O Salão Vermelho de August Strindberg e O Caso do Camarada Tvlayev de Victor Serge – ambos livros incluídos na lista dos 1000 Romances que todos deveriam ler do The Guardian – esta editora promete!


Sobre o autor

Hermann Ungar foi um escritor judeu, nascido na Morávia quando esta ainda pertencia ao império Austro-Húngaro. Embora soubesse checo, escrevia em alemão.
Funcionário no Ministério dos Negócios Estrangeiros da antiga Checoslováquia, Ungar escreveu e publicou a sua primeira obra –  Meninos e Assassinos – em 1920, impondo-se logo junto à crítica. Contudo, foi com Os Mutilados de 1923 e com O Assassinato do Capitão Hanika de 1924 que Ungar se estabeleceu no círculo de intelectuais de Berlim, afirmando-se como escritor.

Foi lido e apreciado por Thomas Mann e Stefan Sweig e traduzido para o francês, sendo que, quando publicado em França, o seu nome foi saudado como o do grande renovador da literatura de expressão alemã.
Morreu em 1929, vítima de uma vulgar apendicite.

Com a chegada do regime nazi, Ungar já não viveu para ver as suas obras encabeçarem a lista de livros a destruir na Bücherverbrennung de 1933. As suas obras foram queimadas por toda a Europa e o seu nome praticamente caiu no esquecimento.

No final dos anos 80, com a publicação de uma nova tradução francesa da sua obra, Ungar foi ressuscitado, voltando a merecer as atenções do universo literário.
Foi posteriormente traduzido em mais de duas dezenas de línguas, vendo novamente o seu nome a figurar no cânone da literatura europeia.

Profundamente influenciado por Dostoievsky e por Freud – como o foram muitos dos escritores do leste europeu dos anos 1920 – Ungar criou uma obra povoada de figuras psicanalíticas, que testam até aos limites mais negros o tecido social e abordam temáticas de choque como a sexualidade e a doença psicológica.


Sobre o livro – Os Mutilados

Neste livro é-nos contada a história de Franz Polzer, um funcionário de um banco, que vive num quarto alugado na casa de uma viúva judia de classe baixa, e que é perseguido por um medo terrível de que aconteça na sua vida, algo que ele não controle.

Polzer é um homem de alma triste, neurótico e socialmente inepto, que procura viver uma vida o mais metódica possível, sem surpresas nem sobressaltos, num ambiente previsível, controlado e tranquilo.
É um homem simples, que vive os seus dias rotineiramente e que é frequentemente atormentado por recordações do seu passado e alucinações dementes envolvendo o seu pai a sua tia.

Logo nas primeiras páginas no livro conseguimos reconhecer estas características em Polzer, percebendo-se leves traços de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – sendo que o personagem vive em constante estado de alerta, na procura de manter a ordem das coisas.

Além disso, Polzer está num constante sofrimento, por antecipar diversas situações, sempre com o mais trágico desfecho possível.
Eu dou-vos um exemplo:
Num determinado momento, a senhora Porges oferece a Polzer um chapéu que tinha pertencido ao seu falecido marido. Após usar o chapéu uma única vez, e em consequência de determinado acontecimento, Polzer diz à sua senhoria que não quer mais usar aquele chapéu. A senhora Polzer sugere-lhe então que ele o venda… 
Esse acontecimento é suficiente para Polzer imaginar que terá ofendido a senhora Porges, que esta o expulsará do quarto que aluga, que terá que procurar um novo lar mas que os novos senhorios serão desonestos, será assaltado aquando a mudança, haverão crianças na casa nova, Polzer ficará doente e terá que faltar no Banco e o trabalho amontoar-se-á na secretária… enfim! Uma bola de neve.


Além de tudo isso, Polzer vive ainda com uma repulsa pelos corpos femininos, pela sexualidade e por qualquer relação social, sendo que, as únicas pessoas com quem Polzer ainda mantém alguma relação, são Karl Fanta – um amigo de infância, que sofre de uma terrível doença que faz com que os seus membros tenham que ser, gradualmente, amputados – e o filho adolescente deste, Franz Fanta.
Polzer testemunha então a deterioração física e mental do seu amigo, que se revela um personagem revoltado e bruto nas palavras e, curiosamente, muito interessado em conhecer a senhora Porges, senhoria de Polzer.

Mesmo protegido pelo seu comportamento compulsivo e pela sua tentativa de manter a rotina, Polzer acaba inevitavelmente por ser engolido pelo mundo dos outros, envolvendo-se numa teia de mentiras, sexo e violência.

Escrito de forma provocante e perturbadora, este livro vai abordar temas como o trauma, a religião e a sexualidade, abordando questões como o incesto, a violação e o masoquismo.

Todos os personagens da história são complexos, bem construídos e é difícil não criar, quase logo de inicio, alguma empatia por Polzer e até mesmo alguma pena pela situação em que este se vê envolvido bem como, aliado a isso, um sentimento de repulsa pelos restantes personagens.

Em jeito de conclusão, devo dizer que é um livro forte – pela temática e pela escrita – que nos consegue provocar, em diversos momentos, um nózinho na garganta.

O único reparo menos positivo que tenho a fazer a esta edição, é o facto de ter encontrado, ao longo da leitura, algumas gralhas. Nada de significativo para a compreensão das frases, mas ainda assim algo a notar.
Pelo que sei, esta edição terá um número limitado de exemplares, no entanto, se houver alguma edição futura, uma nova revisão não será má ideia.

De resto, continuo muito interessada no conceito da editora e muito tentada a adquirir novos títulos.
E vocês?
Já conheciam esta editora? E esta obra?
Espero que tenham gostado do post e não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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Nota: Em Fevereiro de 2016 foi, de facto, lançada uma nova edição de Os Mutilados. A editora, assumindo os erros de revisão da 1ª edição, fez questão de enviar, em jeito de desculpas, um novo exemplar do livro a quem o adquiriu em regime de crowdpublishing  através da plataforma da editora.

sábado, 31 de outubro de 2015

Happy Halloween

"Traçando uma linha entre o Outono e o Inverno, a abundância e escassez, a vida e a morte, o Halloween é um momento de celebração e de superstição.
Acredita-se que as origens do Halloween remontem ao antigo festival celta de Samhain. Os Celtas acreditavam que, nesta noite, a fronteira entre os mundos dos vivos e dos mortos ficava turva e, por isso, acendiam fogueiras e usavam trajes que acreditavam afastar os fantasmas.
Com o tempo, o Halloween evoluiu para um evento baseado na comunidade, caracterizado por actividades com crianças, tais como o trick-or-treating.
Em vários países espalhados pelo mundo, como os dias ficam mais curtos e as noites ficam mais frias, as pessoas continuam a inaugurar a temporada de inverno com encontros, fantasias e doces."
[Mais informação sobre o Halloween aqui...]

 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Li // A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de mais um clássico de Horror, desta vez de um conto: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Washington Irving.

Este conto foi publicado primeiramente em 1820, como parte do livro The Sketch Book of Geoffrey Crayon, no qual com Irving usou o pseudónimo de Geoffrey Crayon.


Neste conto é-nos narrada a história de Ichabod Crane, um magro, esguio e extremamente supersticioso mestre-escola, muito conhecido em Sleepy Hollow.

Ichabod não tinha dinheiro nem casa própria, dividindo o seu tempo entre a escola e o alojamento temporário em casa das diversas famílias da vila, que o acolhem por solidariedade.

Sendo um mestre-escola uma pessoa vista com um certo gabarito – uma espécie de cavaleiro ocioso, como refere a obra – não seria de estranhar que os seus anfitriões caprichassem na hora de por a mesa e, sendo Ichabod Crane um bom garfo (apesar da sua magreza), nunca se fez rogado na hora de comer.

Preocupado em assegurar um futuro um pouco mais prospero, Ichabod tenta aproximar-se de Katrina Van Tassel, filha única do mais rico fazendeiro da Vila.
No entanto, a jovem tem já um pretendente – Abraham ‘Brom Bones’ Van Brunt – que, obviamente, não acha piada nenhuma a Ichabod.


Um dia, Baltus Van Tassel, pai de Katrina, resolve dar uma festa e, como seria de esperar, o mestre-escola é convidado.

Nesta festa, repleta de muita comida e boa bebida começou-se, a determinado momento e como era costume local, a contar histórias de terror, sendo a mais assustadora a de um soldado de cavalaria, cuja cabeça foi arrancada por uma bala de canhão e que, segundo reza a lenda, ainda é visto em algumas noites, cavalgando pelo vale, em busca da sua cabeça…
Ichabod, gostava muito de ouvir estas histórias embora ficasse sempre muito impressionado com elas. Por isso, aproveitando a deixa, Brom Bones afirma já ter-se cruzado, numa noite, com o dito cavaleiro, aumentando o clima de medo entre os presentes.

Quando Crane deixa a casa dos Van Tassel, já tarde no final da festa, montado num cavalo velho, começa a prestar atenção aos sons que o rodeiam: O assobio do vento, o som de animais a passar pelas folhas caídas, o som do chapinhar do regato e, ao longe… o trote de um cavalo?


E foi isto!
O que acham que aconteceu a Ichabod?
Já conheciam esta história?

Apesar de ter adquirido este livro com o intuito de ler ‘A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça’, nesta minha edição (linda, de capa dura e cheia de ilustrações!) estão ainda reunidos dois contos – ‘Rip Van Winkle’ e ‘A Lenda Do Astrólogo Árabe’ – cuja leitura também recomendo.

Espero que tenham gostado do post e não hesitem em deixar a vossa opinião nos comentários!
Um grande Beijinho e até à próxima!

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Li // O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde

Olá a todos!
Espero que se encontrem bem!

Hoje venho falar-vos de O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Esta é daquelas obras que, de uma forma ou de outra, já toda a gente tem uma ideia do conteúdo, seja pelas séries, filmes e diversas adaptações da mesma. No entanto, sabendo que a experiência é sempre diferente quando temos contacto com aquilo que realmente saiu da mão do autor, nada é melhor do que ler o livro.

O Retrato de Dorian Gray foi publicado pela primeira vez em Julho de 1890 na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine.
Os editores desta publicação, temendo que a história fosse indecente, e sem o conhecimento do autor, suprimiram cerca de quinhentas palavras antes da publicação. Apesar da censura, a obra ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos, alguns dos quais disseram que Oscar Wilde estaria a violar as leis que protegiam a moralidade pública.

Em resposta, Wilde revisou e ampliou a obra publicada, romanceou alguns elementos, lançando-a, em 1891, em forma de livro.


Sobre a Narrativa

A narrativa desenrola-se na sociedade inglesa vitoriana e conta-nos a história de Dorian Gray – um jovem invulgarmente belo, gracioso, bem-educado e de um caracter cativante – por quem Basil Hallward, um pintor londrino, fica fascinado e desenvolve um sentimento de idolatria.
Determinado a imortalizar a beleza de Dorian numa tela, Basil convence-o a posar para si.

Basil tanto falava e tanto tecia elogios a Dorian que acabou por despertar a curiosidade de Lorde Henry – um aristocrata e amigo próximo – que defende que, acima de todas as coisas, o que realmente importa na vida é o prazer e a beleza: A beleza torna aqueles que a possuem em príncipes, e só dispomos de alguns anos para aproveitar dessa beleza e da juventude sendo que, depois disso, só restarão recordações do passado.

Basil termina então o retrato de Dorian – um retrato de corpo inteiro, pintado a óleo – e a todos surpreende por parecer captar a própria alma do jovem no quadro.

Dorian Gray fica encantado com a beleza do quadro e, influenciado pelo discurso hedonista de Lord Henry, começa a lamentar-se e a sentir-se injustiçado por constatar que o quadro preservará uma eterna beleza, enquanto ele envelhecerá a cada dia, perdendo a grande beleza retratada no quadro.

Horrorizado com este inevitável destino, Dorian expressa a intenção de manter sua beleza e a sua juventude eternamente, desejando que fosse o quadro a envelhecer em seu lugar mesmo que, para isso, fosse necessário dar a sua alma em troca.

Posteriormente, e fortalecido pela influência de Lord Henry, Dorian começa a explorar a sua sensualidade, descobrindo Sibyl Vane, uma actriz de classe baixa, que atua em peças de teatro de Shakespeare.
Dorian impressiona-se tanto com Sibyl que, por várias noites consecutivas vai vê-la nas suas apresentações, sentindo-se o mais apaixonado dos homens. Encantado pelas múltiplas facetas que Sibyl revela em palco, Dorian resolve corteja-la e propô-la casamento.

Nessa noite, preocupado com a aceitação por parte dos seus amigos, Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar na peça Romeu e Julieta.

A apaixonada Sibyl não aguenta a felicidade de sentir-se amada pelo seu ‘Príncipe Encantado’ e percebe que o seu único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro. Desta forma, Sibyl resolve renunciar à sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray.
Desanimado por ela ter abandonar o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que era em actuar que residia a sua beleza… sem isso, ela perderia o seu interesse.

Ao voltar para casa Dorian pensa sobre o sucedido e percebe o quanto foi cruel com Sybil, decidido a, no dia seguinte, tentar reconciliar-se. No entanto, ao olhar para o seu retrato, Dorian apercebe-se de uma subtil alteração… um pequeno trejeito no sorriso.

Dorian compreende então que o seu ‘pedido’ foi atendido, estando a sua alma a habitar o quadro. Assim, o quadro irá não só arcar com o passar dos anos, mas também com as acções – mais ou menos nobres – desenvolvidas por Dorian.

Na manha seguinte Dorian é informado que Sibyl se suicidou com ácido e decide que, a partir daí, nada mais importará além de usufruir da sua eterna juventude, perseguindo uma vida libertina e de experiências amorais.

E será essa, uma decisão inconsequente?


E a partir daqui… contém (todos os) Spoilers!

Num momento seguinte, Lorde Henry oferece a Dorian um livro – um romance francês, de capa amarela, moralmente venenoso – que vai influenciar determinantemente Dorian.

A título de curiosidade: Nunca é, ao longo da narrativa, revelado o título do romance francês de Dorian lê mas, segundo o ‘Oscar Wilde:Art And Morality’ de Stuart Mason, Wilde terá afirmado tratar-se de À rebours, de Joris-Karl Huysmans (Traduzido em Portugal como ‘Ao Arrepio’)

Dorian esconde o seu quadro e satisfaz-se ao perceber que, a cada atrocidade cometida, é o Dorian da tela que vai envelhecendo e adquirindo feições cada vez mais maldosas enquanto ele próprio se mantém fisicamente imutável.

Segue-se então, durante vários anos, uma vida de prazeres, na qual Dorian assume uma conduta fria, interesseira, influenciando negativamente quem o rodeia.

Dorian atinge o seu ponto mais baixo quando, numa noite, Basil vai a sua casa informá-lo de que se vai mudar para Paris, querendo despedir-se e procurando também saber da veracidade dos rumores acerca da sua pessoa.
Dorian não nega sua devassidão e leva Basil até ao quarto onde se encontra escondido o retrato que, entretanto, se havia tornado hediondo pela corrupção de Dorian.
Num acesso de raiva, Dorian culpa Basil pelo seu trágico destino e apunhala-o até à morte.
Para destruir o corpo, Dorian chantageia o um velho amigo – o químico Alan Campbell – que posteriormente se suicida por ter sido cúmplice de um assassinato.

Para esquecer a sua culpa, Dorian vai a um antigo antro de ópio, onde James Vane – irmão de Sybil – está presente. Ao ouvir alguém a referir-se a Dorian como ‘Príncipe Encantado’, James reconhece-o e procura vingar a morte da irmã.

No entanto, ao encarar Dorian, James fica surpreendido com sua juventude, acreditando ser impossível ser aquele jovem o mesmo que, há 18 anos, foi responsável pelo suicídio da irmã.

James liberta Dorian mas, logo de seguida, é abordado por uma mulher que afirma que Dorian frequenta já aquele lugar há vários anos, sem nunca aparentar o passar do tempo.
James percebe que foi ludibriado mas, nesse momento, Dorian já desapareceu.

Entretanto, numa noite, durante um jantar em suacasa, Dorian percebe que James o observa através de uma janela e começa, a partir desse momento, a temer pela sua vida e pela sua sanidade. Dorian resolve por isso retirar-se da cidade para o campo, onde se sentirá mais protegido.
Aí, durante uma caçada, um dos caçadores atira e acidentalmente mata um desconhecido, que Dorian reconhece como James Vane.

Ao retornar a Londres, Dorian informa Lorde Henry que decidiu ser bom a partir de então e questiona-se se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato.
No entanto, ao consultar o quadro, Dorian depara-se apenas com a pior representação de si mesmo. É neste momento que Dorian percebe que a única prova do seu mau carácter é o próprio quadro, resolvendo por isso destruí-lo. Assim, enfurecido, pega na mesma faca com que assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato.

Ouve-se um grito!
Os empregados da casa acordam ao ouvir esse grito, vindo de um quarto fechado, enquanto na rua, os transeuntes – que também ouviram o grito – chamam a polícia.
Ao entrarem no quarto, os empregados deparam-se com um velho desconhecido, esfaqueado, de rosto seco e decrépito… Identificam, no entanto, nos seus dedos, os anéis de Dorian Gray.
Ao lado do corpo, está o retrato de Dorian que, entretanto, regressou à sua beleza original.

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